
Evito escrever sobre política. Não por faltar-me um fígado saudável e amigos que se entusiasmem em debater o tema. Mas o destino me reservou o Rio de Janeiro como domicílio eleitoral e temo não externar fielmente a beleza da nossa maior festa cívica, as eleições. Os abstencionistas não sabem o que perdem, ainda que alguns eleitos tenham deixado seus cargos para ficar “à disposição da Justiça”, como um vereador do Rio que conheci se referia ao tempo em que estivera na cadeia, meses antes de ser assassinado.
Aqui, a democracia é sempre generosa. Ela nos sorri. Aliás, é eufórica, dá gargalhada. A disputa pelo Palácio Guanabara se dará este ano entre Eduardo Paes, Anthony Garotinho, Douglas Ruas e, lógico, os candidatos de sempre, como aquele que repete há décadas o número que rima para não votarmos em burguês.
Paes tem a seu favor a experiência de quatro mandatos como prefeito do Rio, quando criou e comandou uma estrutura administrativa enxuta, de 35 secretarias municipais, 25 institutos, empresas públicas e fundações, além de 11 subprefeituras. Mais liberal impossível! Ao seu lado, terá como vice a Sra. Jane Reis, de uma tradicional família de políticos de Duque de Caxias, que agregará respeitabilidade à chapa.
Dizem até que Paes ganhará no primeiro turno, mas não se devem subestimar os seus adversários. Garotinho é um comunicador nato, diz não faltar com a verdade, já foi governador, primeiro-damo e secretário de Segurança Pública. Já o candidato Ruas, é da mesma cepa viçosa e verdejante do ex-governador Claudio Castro, ainda em liberdade e eleito no primeiro turno nas eleições passadas – um feito para pouquíssimos! Pena não poder se candidatar novamente…
Portanto, ou melhor, por nada, levando em conta a qualidade dos candidatos e o discernimento da maioria dos eleitores fluminenses, a decisão será cruel. Os franceses descreveriam nosso impasse como um “embarras du choix”, um embaraço na escolha… Os candidatos são extraordinários; que os urubus de plantão vão crocitar em outros estados!
Ai, Mauro… Adoraria ser desligadona e aproveitar o meu privilégio de septuagenária para não ir às urnas… Mas não consigo. O que fazer? Votar no Dudu? Tá difícil.
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Pois é… Gostaria de votar em SP. Aqui, só tapando o nariz com força e escolher aquele que aparentemente é o menos ruim: Dudu. Blergh!
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