Nada mais cronicável nesta semana do que a negativa do príncipe herdeiro do “trono do Brasil” de autorizar o casamento de outra pintosa da família Orleans e Bragança com uma plebeia. Mas meus confrades se anteciparam e esgotaram a versão petropolitana do caso de Eduardo VIII da Grã-Bretanha com Wallis Simpson, lá se vão 90 anos. Ou seria o trono do Bramil? Dos supermercados Bramil de Petrópolis? Seria menos irreal…

Sendo assim, decidi revisitar um tema sobre o qual escrevi há exatos quatro anos. Escrevi que o gênero da ficção científica não é o meu preferido, mas que gostei muito, na infância, de A Volta ao Mundo em 80 Dias, de 20 Mil Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne. Três deliciosas viagens juvenis, escritas no final do século XIX, que, além de toda a fantasia, comprovaram a capacidade do escritor francês de antever o futuro. Depois, li e gostei de A Máquina do Tempo (H.G. Wells, 1895), Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley, 1932), 1984 (George Orwell, 1949) e mais recentemente de Máquinas Como Eu (Ian McEwan, 2019).

Creio que crianças da era pré-informática, como eu, imaginavam mais porque ignoravam muito mais. Invariavelmente, as minhas viagens ao centro da Terra se davam na praia, quando eu cavava um buraco profundo para chegar à China que, segundo outro escritor visionário, faria o mundo tremer quando acordasse. Mas, na minha jornada, só achava pequenos tatuís, supondo-os gigantescos no centro do nosso planeta.

Hoje em dia, no entanto, com a internet ao alcance da maioria, não sei se existem lacunas a preencher com ideias mirabolantes e previsões de futuro, a não ser, infelizmente, as catastróficas, considerando que sabemos perfeitamente o mal que fazemos ao planeta, sem nos corrigirmos.

Portanto, se caminhamos a passos largos para o fim do mundo, melhor descer âncoras no passado e voltar ao tempo dos homens maravilhosos e suas máquinas voadoras. A realidade podia ser mais primitiva, mas o futuro no passado sempre foi uma boa aventura, enquanto no presente o gênero que prevalece é o do terror. A não ser que o imperador desça a serra, viaje no tempo e mude o rumo da história.

P.S. A criança do passado que escreveu esta crônica, por não ter qualquer talento para o desenho, pediu ao robô que retocasse a foto da fachada do Palácio Bramil. Sorry!