
A avó de meu amigo Zé estava bem velhinha. Nasceu muito antes da invenção da televisão e das novelas da Tupi e da Globo. Portanto, era natural que misturasse realidade e ficção ao assistir às telenovelas depois do jantar.
Ela gostava muito do Francisco Cuoco. Achava-o um pão. E ficou muito abalada quando Carlão, interpretado por ele, morreu no final de ‘Pecado Capital’.
Segundo me contou o Zé, Dona Damiana ficou inconsolável. O rapaz era tão novo, coitado! Mas dois anos se passaram e ela, exultante, revelou ao neto que o galã não tinha morrido coisa nenhuma. Na realidade, ou melhor, na ficção, não sei, ela o vira vivinho da silva. Era Francisco Cuoco no papel de Herculano Quintanilha. Que astro!
Lembro-me disso porque suspeito que vivemos sob o signo do engano. Muito do que se vê é inteiramente falso e sinto-me muito como a avó do meu amigo, bastante confuso.
Afinal, quem vemos na tela é vilão ou mocinho? No filme ‘Sob o Signo de Capricórnio’ (Hitchcock, 1949), logo no início, suspeitei do Joseph Cotten, marido da Ingrid Berman. Ele não é o tio malvado da Ingrid em ‘À Sombra de uma Dúvida’ do mesmo Hitchcock? Ou seria tio da Joan Fontaine? Mas Joan é a Rebecca! Acho que me enganei… O título do filme é ‘Suspeita’ e o vilão é o Cary Grant. Também não confio nem um pouco no James Mason. Tem cara de mau.
Que confusão! Não vou conferir nada na internet. “Whatever”! – um foda-se elegante em inglês. Sei perfeitamente que o processamento das informações no meu “célebro”, que o corretor ortográfico insiste em corrigir, está inteiramente ultrapassado. Somente na próxima encarnação, com um upgrade intelectual, terei chances de compreender este admirável mundo novo, cheio de truques, lá pelo ano de 632 DF (depois de Ford), como imaginou o “cérebre” escritor inglês Sean Connery.
Ótima semana para todos e… olho vivo!
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PS A história do livro ‘Admirável Mundo Novo’, de Aldous Huxley, se passa em Londres, em 2540 DC. Mas, no romance, em 632 DF (depois de Henry Ford).