O célebre Edson Arantes do Nascimento disse que o povo brasileiro não sabia votar. Bem, sabemos que o Rei Pelé era monarquista e que sua tese é da década de 1970. Naquela época, sequer podíamos treinar um voto bem colocado à esquerda ou à direita. Mas, pensando bem, votar é uma habilidade difícil de desenvolver até hoje. Depois da Arena e do MDB, num intervalo de tempo relativamente pequeno, tivemos um presidente eleito pelo PRN e outro pelo PSL – partidos que ninguém sabe se ainda existem e ninguém viu. E que congressos horrorosos elegemos nos últimos tempos!

As urnas eletrônicas tornaram Macaco Tião e Cacareco inelegíveis. Ok, votar é coisa séria, mas legislar também é. De qualquer forma, não nos fizemos de rogados. Elegemos Tiririca e prestigiamos candidatos e candidatas como Papai Capim, Dr. Hollywood, A Loira da Ração, Michele Sem Mimimi e Páti do Chevete. E observe que estes foram políticos muito menos danosos do que aqueles pertencentes às linhagens “nobres” do país. Os Nogueira, por exemplo. Que caras de pau!

Portanto, creio que não dá para negar que temos fracassado na escolha dos nossos representantes. Mas, em outubro, teremos uma nova chance. Os céticos se perguntam se elegeremos deputados e senadores ruins ou piores. Mas há exceções e devemos fazer bem a nossa parte. Quem sabe? Zebras existem! Há 60 anos, o Bangu foi campeão carioca com uma vitória de 3 a 0 sobre o Flamengo. Dizem as más línguas que houve maracutaia. É possível! Um juiz chamado Aírton de Moraes, o Sansão, apitou o jogo e havia um banqueiro poderoso na jogada: o Doutor Castor de Andrade, dono do Bangu e uma espécie de influencer.

Seja como for, precisamos encarar a próxima partida e, em caso de desespero, apelar para o humor, como nos ensinou o saudoso Luís Fernando Veríssimo:

“…as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra. É bom lembrá-las sempre, principalmente no horário político, quando sua irritação com a propaganda que atrasa a novela pode levá-lo a preferir outra coisa. Resista. Engula sua impaciência com a retórica eleitoral que você sabe que é mentirosa, com o debate vazio, com os boatos maldosos e os golpes baixos, com o desfile de candidatos que variam do patético ao ridículo… Diante de tudo isso, em vez de “que chateação”, pense “que maravilha!”. É a democracia em ação, com seus grotescos e tudo. Saboreie, saboreie!”