Além das visitas sociais, já se foi o tempo em que as campainhas das casas tocavam por razões religiosas ou para a oferta de cosméticos femininos. Nesses casos, alternavam-se as Testemunhas de Jeová – denominação cristã restauracionista que prega sua doutrina de porta em porta – e as célebres representantes da Avon, da “Avon Chama!”.

Eu morava em uma casa na Usina da Tijuca, no Rio, e o portão da rua era relativamente distante. Na época, entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990, nunca fui brindado pelo “dim-dom” da Avon, mas não era raro eu ser acordado de manhã cedo, nos finais de semana, por um barulho que me soava infernal: eram as Testemunhas de Jeová. Ora, se houvesse a menor dúvida sobre testemunhar a favor daquelas pessoas que me tiravam da cama e me faziam atravessar o quintal, ela se volatilizaria. Eram pessoas pacíficas, tudo bem, mas muito, muito inoportunas.

Seja como for, sabe-se que as Testemunhas de Jeová agem de boa fé, completamente diferente do que fazem figuras muito conhecidas no Brasil que têm acordado com a Polícia Federal à porta. O caso mais recente foi do presidente do Progressistas, senador pelo Piauí, Ciro Nogueira – líder do Centrão e ex-chefe da Casa Civil do antecessor do presidente Lula. Segundo as investigações, ele recebia uma espécie de “bolsa” de R$ 500 mil mensais. Mas, aguarde! Surgiu outro! Foi agora há pouco. O pai daquele banqueiro Daniel Vorcaro acaba de ser preso. Tempus fugit!

Fato é que o toque da campainha da PF tornou-se o sinal dos tempos atuais; tempos tristes, que só melhorarão se Sua Excelência, o povo brasileiro, for às urnas com mais consciência, mais vontade de acertar e menos religião. Pelo menos, perguntando-se se pode confiar na fé daqueles candidatos que se fazem fotografar ajoelhados, de olhos fechados e braços levantados para o céu. Ou se pode levar a sério os postulantes a cargos eletivos que pedem dinheiro e vantagens a gangues financeiras e a banqueiros altamente suspeitos.  

Não é uma questão religiosa, nem ideológica. São atitudes de gatunos que exploram o país e cheiram muito mal. Somos iguais? Quero crer que não. E encerro esta crônica com algum perfume, desejando que ajude a melhorar o seu dia: o jingle da publicidade da Avon que você poderá ouvir no Youtube.

“Dim-dom, dim-dom, Avon chama!

Dê as boas-vindas à sua revendedora Avon, Avon!

Ela tem para você sugestivas fragrâncias,

Para a sua intuição feminina escolher!

Dim-dom!

Avon chama!”

Creia! As eleições de outubro de 2026 serão decididas de porta em porta, de boca em boca. Razão chama!