Charge do Otto Guerra

Semana difícil… A vontade era de pular este domingo ou repetir uma crônica antiga, mas eu abriria mão de trocar ideias com os amigos.

Pensei até em fazer uma catarse. Botar os demônios para fora e buscar a purificação da alma através de um piti. Cobras e lagartos estão por toda parte. Paciência, gafanhoto… 

E fiz diferente. Postei-me diante do espelho para cortar a barba, melhorar a imagem e levantar o astral. Mas minutos depois, enxagüei o rosto, abri os olhos e foi um baita susto.

Enxerguei-me com dois troncos altos paralelos. Na altura dos ombros, do lado esquerdo, havia uma abóboda voltada para baixo. À direita, outra, tal qual um penico  voltado para cima.

Caramba, eu me transformei na Câmara dos Deputados e no Senado! Que tipo de feitiçaria foi esta? Até quando serei aquele inferno na Terra a exalar enxofre?  Li que em Portugal fenômeno semelhante ocorreu com um gajo. Chega!

Senti um gosto de sangue na boca e a sensação de ser uma hiena altiva depois de comer a presa. Quero mais! Não vou largar o osso! Isso aqui é muito bom. Bebe-se e come-se do melhor. E sem ter que pagar a conta! Mas foi um sonho… 

Já sei. Ontem à noite faltou luz e estávamos brincando de “O que é, o que é?” Na minha vez nem teve graça. Todos acertaram rapidamente. Foi mais ou menos assim:

“Minto o tempo todo, defendo a família brasileira e viajo em avião de empreiteira. Adoro banqueiro. Afinal, meu voto vale dinheiro. Tenho tudo que não tinha. Não abro mão de uma rachadinha. Só temo a Deus! Mas medo de juiz com cara de mau, eu não tenho.”

E minha filha gritou. “Mole, pai, é o Congresso Nacional!”