1007 noites, caso não haja imprevistos, é o que falta para o término do mandato do atual presidente dos EUA. 1007 é pouco mais do que 1001 noites; e não há como deixar de associá-las à célebre coletânea de histórias que a humanidade herdou das civilizações persa, árabe e indiana.

Pois as próximas 1007 noites formam um período de enormes provações para a nossa espécie, para os que têm um mínimo de sensibilidade e instinto de sobrevivência. Afinal, a todo instante, aquela figura repugnante insulta o mundo com o poder que detém. Faz as mais insanas ameaças e recua em seguida – certamente para não sair de cena, algo que esperamos que ocorra, o mais tardar, daqui a 1007 noites.

Ele vocifera diante de microfones e câmeras de televisão com sucessivas provocações. Mas creio que tenha se superado quando disse que uma civilização inteira deixaria de existir em uma única noite.

Inculto como é, não deve saber quem é a princesa Sherazade – personagem da literatura que minha imaginação gostaria que se acomodasse na Casa Branca para repetir As Mil e Uma Noites. A humanidade teria melhores chances de suportar o indigitado presidente. Sherazade foi bem-sucedida com o rei Shahriar, um bam-bam-bam persa tão pervertido quanto os membros da gangue de Jeffrey Epstein.

Depois de ser traído, Shahriar decidiu ter uma esposa a cada noite. Ao amanhecer, ela era morta e substituída. Até que chegou a vez de Sherazade contar histórias fascinantes para o rei. Ela, no entanto, sempre adiava o desfecho para a noite seguinte, e o rei, curioso, não ordenava sua execução. Entre elas, estavam contos famosos como Aladim, Ali Babá e Simbad.

Mil e uma noites de muito talento e imaginação para amansar o coração do rei — o que demonstraram e demonstram o poder das histórias para mudar as pessoas. Minha única dúvida é se algumas delas, por melhores e mais mágicas que fossem, seriam capazes de, hoje, modificar a aberração de Washington. Amanhã à noite eu continuo.