Vivemos tempos dificílimos e, assim como eu, milhões de pessoas estão assustadas, tristes, deprimidas… Dar um tempo nas redes sociais será importante, antes que os algoritmos me contaminem ainda mais e me separem de amigos. Mas isso não vai bastar e surgiu a ideia de passar uma temporada em Águas da Prata, interior de São Paulo, até o dia 24 de outubro, véspera da “segunda volta” das eleições, como dizem meus amigos portugueses.

Por que Águas da Prata? Eu era criança e lembro-me bem de que todos os anos meus avós passavam um mês no Circuito das Águas: São Lourenço, Caxambu, Lindóia, Águas da Prata. Eles voltavam rejuvenescidos e sempre me traziam um copinho de plástico com tampa. Eu me fartava de beber água nele. O sabor era especial no copo gravado com os dizeres “Lembrança de São Lourenço”, carinho dos meus avós.

Pois com os índices de gentileza em baixa e diante do que vem por aí, no Brasil e no mundo, é preciso cuidar da saúde e tomar um rumo melhor. De todas as estâncias hidrominerais que conheço, Águas da Prata é aquela com menos atrativos. Se não mudou, oferece água e mais nada. Talvez nem tenha sinal de internet – o que será ótimo. É acordar sem pressa, tomar o café da manhã e… “partiu beber água”.

Só de projetar essa paz monótona e sem contrastes, sinto-me melhor. Voltam o prazer, os projetos, o humor e a criatividade. Idealizo até um tipo de festival bacana para sugerir à municipalidade de lá: “Sex, Water and Rock ’n’ Roll”, ainda que não fosse má ideia lançar mão de algumas “drugs” que dessem um bom barato sem os efeitos colaterais para um sexagenário como eu – uma espécie de Woodstock das Águas. Que tal? Meu receio é a ultradireita roubar minha ideia e lançar o “Sex, Church and Sertanejo”.

Vamos ver… De alguma forma, já estou em busca de opções para me curar da ressaca emocional e suportar as próximas três semanas. E que não haja dúvidas: eu respeito as religiões que não são negócios, gosto de algumas músicas sertanejas e o “sex” de que falo, ora, nada tem a ver com o que o candidato da ultradireita mais gosta, que rima com Araçatuba, a célebre capital do Boi Gordo.