Fui à cozinha pegar uma cerveja, mas estaquei antes de abrir o congelador. Quantas viagens eu enxerguei à minha frente! Os amigos percorreram o mundo, mas não se esqueceram da gente. Prova disso são os ímãs de geladeira.

Nem sempre é fácil trazer um souvenir para quem não nos sai da memória, mas essas pequenas peças tornaram-se um mimo possível. Assim, parte do mundo está bem ali: na porta da minha geladeira.

Sorrio diante dos galinhos de Barcelos e vejo muito mais: plaquinhas das ruas de Paris, sardinhas de porcelana, o Big Ben, a Ponte Carlos de Praga, o Elevador Lacerda em Salvador, girassóis de Van Gogh, bonequinhos da Baviera, a jangada de Maceió, o Pinóquio da Toscana… Quanta coisa!

De volta à sala, a viagem continua. Diante de mim, o perfil do Rio, lindamente traçado por Lúcia Bromberg; o Anjo, a Favelinha e o Flamboyant herdados dos meus pais; a pintura a óleo de um vaso de flores — presente de casamento do Jamil; a placa de argila comprada de um artista em Tiradentes, as cerâmicas da Sonize, Cecília de bicicleta e uma gravura do Bob – as cores do meu irmão…

Em uma tarde de setembro, entre a cozinha e a sala, esperando as meninas para o almoço, fui longe. Eu precisaria de mais paredes e de outra geladeira para pendurar e magnetizar tanto afeto, gentileza e sensibilidade. Saúde para todos!

P.S.: Falta pouco mais de uma semana para as eleições. Acreditemos no melhor.