
O cenário eleitoral na fazenda está esquisito. Não estou entendendo nada! Há duas vagas para o Senado. No Rio de Janeiro, duas boas galinhas estão na disputa, mas uma delas, acompanhada por número expressivo de militantes, defende uma dobradinha com a raposa. Vá entender! Corremos o risco de eleger a raposa ardilosa e o velho lobo, que corre por fora e não é burro nem nada. Depois, não reclamem da canja!
Essa confusão se soma ao oportunismo deslavado dos que já estão em cima do poleiro, mas pedem o voto dos animais novamente. Querem ir além! Refiro-me aos bichos que, há dois anos, receberam mandatos para trabalhar nas cidades: vereadores e prefeitos. Pior: os vereadores sequer renunciam ao posto e usam o poder e a estrutura de gabinete que têm para dar uma banana nos eleitores de ontem e pular a cerca. Preste atenção!
Para completar o tumulto, olhe o tribunal da fazenda! Meu Deus! Quem aqueles pavões pensam que são? Uns desejam melar tudo; outros, que supostamente deveriam pacificar os ânimos, aumentam o lamaçal. Quanta arrogância! Quanta exibição! Espero que meus candidatos fiquem muito longe dessas pavonadas.
Por fim, peço que os companheiros urubus parem de pedir o voto certo da nossa torcida no urubu-rei. É uma total perda de energia! Precisamos conquistar outros animais, de cores diferentes, e, para isso, por favor: menos briga, menos mau humor e mais gentileza. Qual é o propósito de agredir a pavoa envergonhada?! Essa atitude irrita os bichos indecisos. E, lógico: não há por que piar para quem não escuta e dançar para quem não consegue enxergar. Só ganharemos a eleição com uma boa estratégia, que inclua humildade, generosidade e, sobretudo, respeito.
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P.S. Obrigado, George Orwell.