
Escritores, revisores, tradutores, gente de verdade das letras, com conhecimento e cultura acumulados, têm perdido terreno para ferramentas de inteligência artificial. José Eduardo Agualusa escreveu outro dia sobre como o erro faz falta. Mas não se referia ao erro crasso, que normalmente parte de quem se arvora em fazer algo de que definitivamente não é capaz.
Flavio B. foi candidato a um cargo muito além da sua capacidade. Muitíssimo além. Erro crasso! Felizmente, não foi o escolhido; perdeu por uma diferença de quatro milhões e quatrocentos mil votos. Mas depois de conhecido o resultado, imaginava-se que reconheceria a derrota, como fazem as pessoas maduras e elegantes. Não fez. Não é elegante nem moderado. Também supunha-se que fosse agradecer aos eleitores incautos que votaram nele. Não fez e tampouco buscou assumir a liderança da oposição ao próximo governo.
Fugiu!
Ao chegar ao destino, Flavio B. pediu ao ChatGPT ou geringonça similar que redigisse uma carta. Nela, queria ser comparado a grandes personagens da história e apresentado como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Erro crasso! Flaviô, diria o General De Gaulle, não é sério e foi obrigado a alterar o texto pelo governo do país para onde fugiu. Estava errado na forma e no conteúdo.
Hoje, dois de novembro, celebramos os mortos. Creio que Flavio B. morreu politicamente, pelo menos, para pleitear novamente um cargo importante. Livramo-nos de uma tragédia, de uma figura vergonhosa, adicta da mentira e ignorante a ponto de não ter constatado o erro crasso estampado no brasão da missiva insana de autodeclaração da vitória que não existiu: o nome correto do país que desejava tomar de assalto.
Aliás, Brazão lembra outra triste história e fiquei confuso. O certo é misciva ou miçiva? Miciva? Milícia? Tanto faz. O essencial é proclamarmos com todas as letras que o autoproclamado representa um erro crasso na política brasileira, algo que não deve se repetir, uma anta, uma zebra, como diria meu pai, que me perdoem as pobrezinhas. Não volte, ex-candidato!
Ovação de pé para esse texto!!!!! Acho que ninguém, até agora, tinha conseguido definir de forma tão sucinta e definitiva esse personagem que nos assombrou por um bom tempo! Haja ansiolítico! Um erro crasso da nossa história. Tomara que isso jamais volte a acontecer. Oxalá alguns poucos indivíduos tenham se dado conta da insanidade que estavam cometendo. Parabéns, Mauro. Faço eco às suas palavras: não volte!
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