O filme O Soldado que Não Existiu (John Madden, 2022) reproduz uma operação da inteligência britânica durante a Segunda Guerra Mundial cujo título original eu custei a compreender e explicarei adiante: Operation Mincemeat (em português, Operação Carne Moída).

O tal soldado, na verdade, era o cadáver de um homem que morrera em Londres após ingerir veneno para rato. Os serviços de inteligência recolheram o corpo e criaram uma identidade falsa, transformando-o no major da Marinha Real William Martin. No bolso do seu uniforme colocaram documentos ultrassecretos falsos e o lançaram ao mar na costa da Espanha.

O objetivo era que os espiões alemães o encontrassem e fossem induzidos ao erro. Deu certo. O corpo foi resgatado e os documentos que indicavam onde se daria a incursão aliada seguinte foram decifrados – o que despistou os nazistas e facilitou a invasão da Sicília e a mudança no rumo da guerra. 

Já o termo “carne moída” decorre do célebre humor negro inglês, levando em conta que o elemento central da operação era um cadáver humano. De minha parte, como o título desta crônica denuncia, viajei em muitos sentidos. Dei um salto no tempo, no espaço e pensei no candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro que não existiu, recolhido de uma gaveta do IML – Instituto Médico Legal. Certamente, teria meu voto.

Imagine as próximas pesquisas eleitorais! Com 50 % de margem de erro para mais ou para menos, o “candidato que não existiu” – que se chamaria, digamos, Esperanço Aparecido – já teria ultrapassado Eduardo Paes, Garotinho e Douglas Ruas, mas estaria correndo um enorme risco. Sabemos como são as coisas no Rio de Janeiro… O cadáver seria perseguido e baleado por agentes de (in)segurança do Estado. Que falta de sorte!

Quanto ao nome da operação da (des)inteligência fluminense que fuzilaria Esperanço e uma desejável quarta via eleitoral, ora, lógico: “Operação Presunto”.