
No Salão Azul, dois congressistas conversam.
– Então, Juarez? Hoje à noite, te encontro na casa do Pasquale?
– Não estou sabendo de nada…
– Juarez, abra o olho! Como você não sabe? Onde estão seus assessores? Aliás, aquilo não é uma casa, é a mansão do Pasquale, onde todo maioral vai. Uma beleza! Tem até uma piscina no centrão do salão principal.
– E esse sujeito é sério?
– Ora! Você acha que eu iria se ele não fosse? Nem gosto de badalações, mas a patroa me disse que seria deselegante não irmos. Todo ano ele manda uma cesta especial no Natal. Coisa de amigo! Os perfumes preferidos da patroa, vinhos, relógios, charutos… No Dia de São João, no Ano Novo Judaico e no Ramadã também. E nas festas que dá na sua mansão, sempre há umas lembrancinhas na saída: gravatas Hermès para o batente e uns docinhos deliciosos, que chamam de bem-votados.
– Mas eu soube que Pasquale é banqueiro…
– Juarez! Que preconceito! É banqueiro, sim, mas completamente diferente dos outros. Acha que o banco dele paga uma merreca de juros para seus clientes? Nada! Juros maiores não há! São três vezes mais altos do que os do próprio Banco Central. Aliás, o Bacen está cheio de comunistas.
– E quem disse que tenho dinheiro para aplicar?
– Outra virtude do Pasquale! Ele empresta o que for necessário para você fazer um pé de meia e comprar uma mansão no Lago. Juros menores não há!
– É… O cara parece ser especial…
– Especialíssimo! Os mandachuvas estarão todos lá. Sempre abrem o jogo com todo mundo e ajudam os amigos. Fraternité, meu caro Juarez, fra-ter-ni-té! Um dos pilares da nossa república. Vejo você lá!
Na semana seguinte, no Salão Marrom, outra conversa dos dois.
– Juarez, conte com meu ombro amigo. Sei que você esteve na casa do Pasquale na semana passada, mas não está envolvido nessas histórias da imprensa. Ilações! Só ilações! Já soltou uma nota oficial?
– Mas foi você quem disse para eu ir.
– Eu?! Você está enganado. Acha que sou doido de frequentar aqueles festins? Mesmo que quisesse, a patroa não deixaria. Morre de ciúmes das recepcionistas. O homem é uma fraude. Até aquela cabeleira é falsa. Pasquale é careca, Juarez! Pode pedir vista!
– Careca? Ele também? Mas agora é você quem está sendo preconceituoso. Não vejo problema.
– Juarez, fique tranquilo! Somos irmãos, da mesma igreja. Vamos abrir um inquérito e o presidente vai me escolher como relator. Está tudo certo. Vamos passar tudo isso a limpo, criar um grupo de trabalho e um código de ética. É o que o povo merece de nós.
Essa, apesar de deliciosa como sempre, me deu vontade de chorar… Só não digo que me deu vontade de rasgar porque não dá pra fazer isso com a tela do computador!!!
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Ô, Mauro, eu juro que nunca ouvi falar desse tal de Pasquale. Sequer frequento essas casas suspeitas, aliás, suspeitíssimas! Se disserem o contrário, pode desconsiderar. Quanto ao Murilo, já não posso garantir… sempre foi afeito a uma ‘mamata’, sabe como é?! Por sinal, estou viajando para os EUA somente por causa do tratamento renal. Mas voltarei em um ano ou dois no máximo… até a poeira baixar… quer dizer, até as taxas bioquímicas baixarem!!! Saudações rubro-negras, amigo.
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Que tudo corra muito bem! Grande abraço.
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