
Segunda-feira, carro emprestado para a filha, desci a rua a pé até a Praça Santos Dumont. A ideia era pegar o 410, ônibus que sai do Leblon e me deixa no Passeio Público.
No ponto, sob efeito da sauna natural desta época do ano em São Sebastião do Rio de Janeiro, lembrei-me de que não falta muito tempo para eu ser isento do pagamento dos transportes públicos. Vou poder pegar quantos ônibus quiser, cruzar a cidade de norte a sul: um hop on hop off inteiramente gratuito!
O tempo passava; o tempo no ponto. 20 minutos e nada do 410! Ao meu lado, o cartaz com um QR code indicaria as linhas que passam ali. Mas se eu pegasse o celular para ler o tal código, correria o risco de perder o telefone. Sabia que a linha 112, que passava em frente à minha casa, sumira do mapa.
“Ora, cadê o 410?!” Duvidei.
A temperatura estava próxima a do Inferno ao meio dia e eu ia chegar atrasado ao trabalho. Minha camisa estava encharcada. Pensei em pegar um táxi ou um carro de aplicativo. O problema é que puxei ao meu pai. Pago com prazer um bom jantar, num bom restaurante, um bom vinho, uma viagem. Mas gastar dinheiro com táxi, quando o transporte coletivo tem até ar refrigerado e sou “quase isento”, é jogar dinheiro fora.
Três ônibus fizeram a curva do Jóquei. Enfim! Não conhecia aquelas linhas. Uma segue pelo Rebouças e outra pelo Túnel Santa Bárbara. Não serviriam. Mas lá vinha também o meu 410. Caramba! Não pude acreditar! O canalha atropelou na curva. Passou direto!
E este otário que aqui escreve ficou com o dedo no ar. Inicialmente, o indicador. Depois, o dedo médio, o popular pai de todos, acompanhado do pior palavrão. Inútil.
“Que raiva! Cadê o táxi?” Capitulei.
Pqp! Vc tem toda a minha solidariedade. Mas eu, agora, na minha provecta idade, só ando de táxi
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