Erich Priebke, oficial nazista da SS, ordenou o que é conhecido por Massacre das Fossas Ardeatinas. Aconteceu em Roma, em 1944. Trezentos e cinquenta e cinco civis italianos foram fuzilados porque trinta e cinco soldados alemães haviam sido mortos pela resistência italiana. A regra criada por Priebke era de que para cada soldado alemão morto 10 civis italianos deveriam morrer.

Estima-se que, desde outubro de 2023, mais de 50 mil pessoas tenham sido mortas pelo governo de Israel em Gaza – uma proporção de mais de 40 pessoas executadas por cada vítima do terrorismo do Hamas. Talvez uma nova versão da equação de Priebke ou da Lei de Talião: quarenta olhos por cada olho, quarenta dentes por cada dente.

Por que escrevo sobre isso? Não é uma briga nossa, a terra não é nossa, não são nossos filhos ou nossos netos que, além de suportarem os bombardeios, experimentam a fome.

Eis que me lembrei do que um amigo citava frequentemente, do que disse o pastor luterano Martin Niemöller sobre o regime nazista. Basicamente, o seguinte: “Primeiro eles vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado porque não era socialista. Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado porque não era sindicalista. Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado porque não era judeu. Foi então que eles vieram me buscar, e já não havia mais ninguém para me defender.”

Não compreendo como a população de Israel não consegue derrubar o seu governo pelo que vem acontecendo em Gaza e pelo recrudescimento do ódio na região. Quero crer que se trata de uma democracia… E ela também é vítima! Não bastasse, nesta semana, uma ofensiva no Irã. Mais violência! Será que não existe alternativa? Os interesses comerciais dos que não sofrem com as guerras são incontornáveis?

Em outra frente da estupidez humana, depois de 600 dias da guerra entre Rússia e Ucrânia, as partes chegaram a um acordo altamente significativo: os dois países farão a troca de 12 mil prisioneiros. Mas todos mortos! Doze mil cadáveres poderão voltar para casa. Quanta insanidade! Deles ou também nossa? Não somos palestinos, israelenses, russos, ucranianos, iranianos nem imigrantes do mundo todo. Ainda não vieram nos buscar.