
Não sei se é minha idade ou a baixa qualidade da cobertura da política e dos esportes, mas, na falta de um bom obituário, composto de personalidades selecionadas, sou cada vez mais fã do caderno de saúde do jornal que resta.
Há pouco tempo, ali lemos sobre o ovo perfeito – uma página inteira! Extraordinário! Também discorreram sobre o coração de quem corre 366 maratonas seguidas. Nesta matéria, não fui longe. Na segunda linha eu já estava convencido: jamais correrei duas maratonas seguidas, que dirá 366!
Mas a reportagem do sábado passado foi mais instigante. Tratava da conquista da longevidade obtida com transfusões de plasma. Fácil! Basta injetarmos sangue bom no nosso corpo ruim para rodarmos mais tempo na vida.
O jornalista fez uma analogia do corpo humano com o motor de um carro. Troca-se o óleo da máquina para aumentar sua vida útil; e com o corpo humano é igual. A troca periódica do sangue nos aproximaria da eternidade.
No entanto, senti falta de algo mais consistente. Não entrevistaram um vampiro. Afinal, todos sabem que há séculos eles sugam sangue humano para não morrer e seu depoimento enriqueceria o texto.
Sei que as empresas jornalísticas não têm dinheiro para mandar gente sua à Transilvânia, mas poderiam buscar vampiros nativos, encontradiços no planalto central e em alguns estabelecimentos da Avenida Faria Lima, em São Paulo.
Outro aspecto ignorado pelo editor do caderno de saúde foi o da cobertura dos planos de saúde. As operadoras pagarão pelas trocas de sangue? E o SUS? Vai oferecer o procedimento? E a fila?
Portanto, apesar do avanço da Medicina, não sei ainda se poderei trocar o meu sangue, quanto isso custaria e as cores oferecidas… Enfim, uma pauta riquíssima de utilidade pública, que agradou, mas poderia ter ficado perfeita. Como aquele ovo!
Maravilha! Tanta gente morrendo de fome no século XXI e as (poucas) pessoas que podem comer em restaurantes de luxo querem prolongar sua vidinha mole com a troca de sangue… Ah, mundinho de merda!
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Não é? Triste…
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