Desenho do Amorim

Em dezembro de 2010, o então prefeito do Rio, Eduardo Paes, acompanhado do presidente da Fundação Roberto Marinho, da diretora de Investimentos da Caixa Econômica Federal e do presidente do Banco Santander,   celebrou o início das obras do Museu do Amanhã,  no Píer Mauá. Foi realizada a primeira concretagem das fundações do edifício projetado pelo renomado arquiteto Santiago Calatrava.

O empreendimento, gerenciado pela Fundação Roberto Marinho, custaria cerca de R$ 250 milhões – a maior parte garantida por títulos criados pelo projeto Porto Maravilha – todos comprados pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS. E o Banco Santander prometeu patrocinar e manter o Museu até 2023.

Com atores de peso envolvidos, a possibilidade de êxito do Museu do Amanhã seria muito grande. Mas por que a Prefeitura e os seus mecenas não davam importância para outros equipamentos culturais da cidade, os “museus de anteontem”, que necessitavam de reformas? Por exemplo: Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, o de Arte Moderna, o Histórico Nacional, o Museu do Pontal, o Museu Histórico da Cidade, o Museu de Art Naïf. O Museu Nacional, lembremo-nos, ainda não tinha pegado fogo. Ele resistiu ao descaso até setembro de 2018.

Daí, percebe-se que a “política do bota abaixo” não é coisa do passado. A tônica continua a mesma: destruir ou esquecer o que há para concretar novos edifícios, novos monumentos e descerrar novas placas. Afinal, o que já existe, já existe, não é novidade, não rende manchetes nos jornais nem edifica as autoridades de plantão tal como seus marqueteiros recomendam. Idem no caso do Museu da Imagem e do Som – MIS, que nasceu em 1965 e morreu em 2010, com um plano megalomaníaco da mesma época do projeto do seu irmão do Amanhã.

Dez anos se foram. O governador da época está preso e Eduardo Paes volta a se candidatar para ocupar o mesmo cargo. O Amanhã ficou pronto e o MIS, que ressuscitaria na Avenida Atlântica onde havia uma boate chamada Help, quando muito, é uma sinfonia milionária, inacabada, que colabora com péssima imagem da cidade. Socorro! Por favor, não é razoável insistir em votar nessa forma de governar e de cuidar da cultura, com tanto “empenho” para a construção do novo e tanto desdém com tudo que já existe… No caso do Museu da Quinta, que nem existe mais.