
Quem se lembra do Moura, o beijoqueiro? Era um taxista que dedicava parte da sua vida para beijar celebridades em público. Beijou políticos importantes, ídolos do esporte, artistas e até o Frank Sinatra na turnê ao Brasil. O Moura era uma figuraça. Eu o vi mais de uma vez, entrando em campo no Maracanã para lascar um beijo nos jogadores de futebol. Ele surgia correndo, como se estivesse num jogo de pique bandeira, desvencilhando-se dos PMs até até alcançar seu troféu, o beijo. Depois, acenava para a galera, que festejava como se fosse um gol. O beijado não retribuía o gesto. Em geral, levava um baita susto, mas Moura não ligava.
Pergunto-me o que se passava na cabeça do beijoqueiro. Acho que criou uma modalidade peculiar de esporte que exige estratégia, preparação e rende boas doses da adrenalina. Beijos furtivos, mais precisamente, furtados. Beijos sem romance, que não figurariam na última e memorável cena do filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. Mas ainda assim eram beijos. Moura não planejava suas incursões para passar a mão em nádegas famosas, presidenciais, reais ou fossem quais fossem. Era um caçador de beijos, não era um tarado clássico, imagino, seu alvo eram as bochechas.
E é lógico que este serial kisser baixou no meu computador por conta da pandemia, desses tempos assépticos de separação de corpos. Tempos em que perdigoto virou sinônimo de capiroto, de coisa ruim, de tinhoso, de mafarrico… Um drama! E se para nós não beijar chega às raias de uma maldição que dirá para o Moura… O verão se aproxima e ainda estamos com bocas tampadas e lábios selados. Será que ainda vai rolar um topless de máscaras? Cadê a Sputnik-5? E cadê o Moura?! Onde estará o beijoqueiro? O Google não me deu pistas. Torço para que esteja feliz, longe da Covid, e que ainda não tenha conseguido dar uma beijoca em São Pedro.
Viva o “serial kisser”!
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