Eu havia me prometido não discutir determinados assuntos em determinados grupos, seguindo os sábios conselhos de um amigo: “Mauro, há o grupo para tomar chope e jogar conversa fora; há pessoas com quem você pode viajar, outras para as quais não é bom nem dar carona — mesmo que as ame —; e os amigos a quem você pode falar das suas aflições e sobre política”

Mas Inês de Castro já estava morta e sepultada. O estrago estava feito. Eu não me calei quando uma então amiga reproduziu a sua “pesquisa de campo” para justificar o voto a favor do retrocesso: “Você sabe, Mauro, fui eleitora da Marina, mas desta vez conversei muito e vou de 22.”

Não pude crer naquilo e, quase por reflexo, aconselhei que ela buscasse uma emergência psiquiátrica. Seu caso era muito grave. Como alguém oscila entre Marina Silva e aquele cujo sobrenome não gosto nem de pronunciar? Aquele que quer abrir novamente as porteiras para derrubar florestas, que nega a ciência e desdenha das políticas sociais…

Ainda assim, eu poderia e deveria ter pedido licença para ir ao banheiro! O “pão com areia” — o mal-estar que se instalou — não teria acontecido.

Afinal, os banheiros são verdadeiros templos da razão. Entramos, fechamos a porta, meditamos e nos concentramos para expulsar os maus eflúvios. É claro que falo de quando o ambiente é favorável ou quando estamos em casa. Fora, nem sempre é possível, pois atrás da segunda porta à direita ou daquela no fundo do corredor o clima pode ser hostil, irrespirável. Há banheiros e banheiros, assim como há eleitores e eleitores.

Mas o leitor compreendeu o que eu quis dizer: um espaço de trégua, recôndito, uma zona neutra onde um sacro trono é destinado a fazer desaparecer o que não conseguimos jubilosamente digerir.

Não foi o caso naquela ocasião lamentável! O desconforto se impôs e eu não tinha asas para voar para longe. Paciência! Espero que a ex-amiga compreenda a reação que tive. Também espero que consulte um bom profissional, um sacerdote ou um livro de autoajuda compatível com as suas motivações.

Felizmente, o destino e as urnas nos brindaram com o melhor: o mal maior foi rechaçado e o pesadelo que vivemos durante as eleições de 2026 seguirá pelo cano, após darmos a descarga no templo da razão. Serão águas passadas!

A propósito, gostei dessa nova designação para banheiro… Daqui para frente, direi que moro num apartamento com sala, cozinha, quarto e um templo da razão! Os amigos sabem que sempre serão muito bem-vindos!