
Em seis de janeiro, comemora-se o Dia de Reis em muitos países, de formas variadas. No Brasil, há quem aproveite para matar saudade das rabanadas do Natal. Em Portugal, serve-se o Bolo Rei e, na França, as Galettes des Rois.
Dentro da Galette, segundo versão recente da tradição, é colocada uma fava. Quem a recebe se torna o rei da festa, o rei do dia. No passado, podia-se colocar uma peça de porcelana, indicando boa sorte e, a depender do círculo social, até uma pepita de ouro. Comê-la, portanto, exigia prudência para não quebrar um dente ou engolir um tesouro.
A tradição na França foi suspensa durante a Revolução Francesa. Reis? Nem pensar! E surgiu a Galette des Sans Culottes. Em Portugal, mais tarde, o fim da monarquia também fez desandar o Bolo Rei, proibido nos primeiros momentos da república.
Eis que hoje, mal mordi o primeiro pedaço da Galette, senti um “corpo estranho”. A fava veio para mim! Sorte?! Tomara! E uma ponte afetiva se formou entre Paris e Salvador. Lembrei-me do caruru das minhas tias. O quiabo inteiro no prato recebido representava o encargo, ou melhor, o prazer de oferecer o caruru seguinte.
Quem assistiu ao filme Pele de Asno ou Peau d’Âne (1970), baseado no conto de Charles Perrault, deve se lembrar da linda Catherine Deneuve. Presa sob a pele de um burro e desprezada na sua aldeia por seu aspecto repugnante, ela preparou uma galette para o príncipe enfermo, colocando seu anel na massa. É lógico que o príncipe curou-se, achou o anel, ela se livrou da pele do asno e viveram felizes para sempre.
Pois nesta primeira semana de 2026, em que paira sobre o planeta outra história francesa bem diferente de um conto de fadas, ilustrada pela frase “depois de mim, o dilúvio”, desejo a todos a atmosfera e o final feliz de Peau d’Âne – seguramente mais distantes daquela triste figura que acredita ser o rei do pedaço, o Asno de Washington.
Delícia! Melhor do que qualquer galette! Vive le roi Mauro! Quanto ao Asno de Washington, melhor calar…
CurtirCurtido por 1 pessoa
Muito merci, querida! Que o asno de Whashington desapareça da nossa história.
CurtirCurtir