Maria Babosa, pessoa querida que trabalhava na casa de meus tios quando eu era criança, nunca acreditou que o homem tivesse ido à Lua. Em 1969, ninguém cogitava falar em imagens editadas e fake news, à exceção da Babosa. Quando se tocava no assunto, ela dava de ombros e gargalhava. Era tudo tão absurdo, que não valia a pena argumentar. Apollo 11? Neil Armstrong? Homem na Lua? Rá!

Domingo, 56 anos depois da “suposta” chegada do homem ao belo satélite da Terra, minha filha me mostrou uma ferramenta de inteligência artificial que até eu, possivelmente, da geração G, fui capaz de manejar. Consegui produzir imagens realistas que jamais foram reais. O primeiro exercício foi colocar-me diante da Torre Eiffel com a camisa do Flamengo. Não que eu já não tivesse estado ali, ao pé desse monumento icônico, mas nunca no tempo presente ou com aquela camisa. Portanto, produzir a foto de um astronauta ficando a bandeira do seu país no planeta Marte também seria fácil.

E passei o dia a brincar com o tal aplicativo de IA. Criei imagens que só cogitei possíveis a um profissional. Substituí o uniforme da foto por um terno, troquei os óculos e fiz o circuito Elizabeth Arden para um ensaio fotográfico de mentira: Roma, Veneza, Londres, Nova York, Amsterdam… Até às margens do Lago Ness, em companhia do seu monstro.

A essa altura, pensei em ligar o ar condicionado e servir-me de uma dose de uísque para entrar de cabeça no clima da viagem. Mas tive receio do metanol e da possibilidade de uma internação psiquiátrica compulsória. Opa! Boa ideia! Vou usar o tal gadget para vestir uma camisa de força diante do manicômio de Itaguaí, a Casa Verde de Machado de Assis. Certamente, a IA dará um jeito, como fez para eu homenagear a Maria, fazendo brotar um pé de babosa na Lua (foto).