
A frase da semana partiu da diplomacia do Tio Sam: “estamos monitorando a situação de perto”. Mas o que querem dizer com isso? O que farão se virem algo que os desagrade, que os frustre? Jogarão uma bomba sobre Copacabana? Pois este país, que posa de maior democracia do mundo nos filmes de Hollywood, anda pisando muito na bola; e não adianta atribuir tudo que tem acontecido de bizarro ao seu bizarro 47º presidente.
Sabemos que estão monitorando a nossa corte suprema. Então? Se não gostarem de alguma decisão judicial, pedirão vistas do processo através dos três ministros que ainda detêm o seu famoso visto? A propósito, eu até gostaria de viajar pela Califórnia, passear em Nova York e conhecer a Nova Inglaterra no outono. Mas jamais nos próximos anos! Nem que pudesse! Antes, escolheria a velha Inglaterra e sempre teremos Paris, Roma, Lisboa, Berlim, Amsterdam, Copenhague, Teresópolis, Tiradentes, BH, Salvador, Recife, Porto Alegre, Niterói e Paquetá!
Que monitorar qual nada! Xô! Já dizia minha professora de francês, Madame Herbout, quando viu Jacques Chirac, então prefeito de Paris, na capa de uma revista com os pés sobre uma mesa Luís XV. “Ora, Mauro, ele está no Hôtel de Ville! Se ainda fosse um americano sem cultura!” Pois esse tipo de manifestação feita pela embaixada dos EUA em Brasília parte justamente da parcela de americanos sem cultura e sem a elegância dos espiões ingleses. Imagine você se James Bond agiria dessa forma! Never!
Aliás, esses funcionários supostamente bem instruídos deveriam estudar a Doutrina Monroe. James Monroe, seu presidente de 200 anos atrás, cunhou um princípio de não interferência: “a América para os americanos” e também reconheceu a independência do Brasil rapidamente.
Ora, não sou um nacionalista tacanho que queira o Brasil só para os brasileiros. Quem não nasceu por aqui é muito bem-vindo, e sem a necessidade de exibir qualquer visto antipático e presunçoso. Também não sou adepto de muros e fronteiras, mas dos brasileiros, cuidamos nós! Com a Justiça que temos e com a democracia que conquistamos a duras penas! Cuidamos até dos brasileiros que deixaríamos para sempre numa ilha deserta. The book is on the table!
Portanto, levem o seu voyeurismo para o Alasca! E “last but not least”, pedindo o que o saudoso jornalista Ricardo Boechat aconselharia, de tirar as crianças da sala e afastá-las desta crônica, recomendo que os diplomatas americanos se instalem no banheiro do Bar Amarelinho, na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro.
O tradicional botequim carioca reúne espiões especialmente interessados no volume peniano dos usuários dos mictórios – os célebres manja-rolas, aficionados pelo G1 dos outros. Corra para lá, mister ambassador! Monitore bem de perto o que desejar nas privadas do Amarelinho. Observe se tamanho é documento e nos deixe em paz!
Bravo!!! Perfeito!!! Certeiro, cortante e bem-humorado como sempre
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