Minha primeira ópera foi a Bohème, de Puccini, na década de 1980. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro retomava seus melhores dias e tive o privilégio de assistir, além de uma temporada lírica espetacular, às melhores companhias de dança.

Guardo na memória a célebre ária “Che Gelida Manina” (Que mãozinha fria).  No primeiro ato, o protagonista Rodolfo se apresenta à jovem Mimi, perguntando e respondendo: 

“Chi son? Sono un poeta. Che cosa faccio? Scrivo. E come vivo? Vivo”. 

Quem sou? Que coisa faço? Escrevo. E como vivo? Vivo.

Pois escrevo este texto, pensando em uma noite memorável, muito feliz, quando lancei o terceiro livro, em 9 de julho. Muitos amigos puderam prestigiar o que “scrivo”. Sou gratíssimo a todos, assim como o sou aos que não foram, mas mandaram “un petit mot”, um carinho. Para quem se expressa através de qualquer tipo de arte, a mais discreta reação, como a mãozinha fechada com o polegar apontado para cima, é o máximo!

Acho que todos sabem que, diferentemente do lirismo da Bohème, o que faço não é apenas escrever (scrivere). Como vivo? Sou funcionário, e não bailarino, parafraseando Chico Buarque. Minha rotina de trabalho é numa repartição pública – uma vida muito distinta da dos artistas – o que não impede a mim, a você nem a ninguém de mostrar o outro lado do que somos.

Muito merci! Foi emocionante. Espero que gostem do livreto e quem não o tiver em mãos, se quiser, poderá escrever para mim. Eu o mando com o maior prazer, torcendo, para no final, de alguma forma, eu enxergar a mãozinha mágica do polegar para cima. Ela opera milagres!

 

* “Muito merci” é a marca registrada dos agradecimentos da Sonize, que também agradece o carinho de todos.