Vangloriei-me sempre de não fazer ideia do que representavam as taxas de triglicerídeos, de colesterol, transaminases, creatina, ureia, glicose e demais supostos indicadores da minha saúde. Durante a maior parte da vida, comi e bebi sem censura, conservando-me com um biotipo biafrense. Mas o inexorável tempo transformou o meu perfil, a ponto de eu estar cogitando um novo regime.

Mudando de assunto. Náuseas, foi o que senti ao assistir três senadores da nossa republiqueta de soja transgênica, inquirindo Marina Silva. Ela é das poucas exceções no mar de fisiologismo que mantém mal e parcamente este país. Do alto de um pedestal cafona e covarde, três patetas, que nada têm a ver com o trio formado por Moe, Larry e Curley (foto) , tentaram enquadrar a ministra do Meio Ambiente. Ela resiste às tentativas de abertura das porteiras para a exploração burra e desonesta do que resta de bom no território.

Voltando ao assunto inicial. Consultei meu médico e ele me passou uma descompostura. Não nos termos chulos empregados pelas três autoridades da republiqueta, mas com uma credibilidade conferida pela Ciência. “Mauro, você está com gordura no fígado e isso é sério”. Ele nem riu quando brinquei que gosto do fois gras acompanhado por um bom vinho da Borgonha. “É sério. Você precisa de um regime duro!” “Mas, doutor, tive hepatite quando era criança e o regime era ótimo. Além de ter ficado um mês fora da escola, comia muito suspiro e marmelada Colombo”. “É verdade, não se tinha ideia dos malefícios do açúcar para o fígado”.

Juntando os dois assuntos, o que fazer? Como nos livramos de figuras como os tais três senadores? Aliás, como nos livramos de centenas de parlamentares danosos ao meio ambiente, à educação e à saúde, sem derrubar o regime?! Como reduzir a carga tributária e acabar com a gordura no fígado? O regime pode ser ruim, mas qual é a alternativa? Não me iludo. O Brasil é ingovernável! Não vislumbro luz no fim do túnel nem enxergo mais os meus artelhos quando, de pé, miro para o chão. Sinuca de bico! Existirá uma saída? Uma amiga, quando se descobriu diabética, não hesitou em dizer: “Veja o lado bom, posso me suicidar com fios de ovos”. Ela foi radical, mas também estou prestes a levantar a bandeira da derrubada do regime. Sábado é dia de feijoada! Domingo é dia de cozido!