
Que tarifaço de Tramp qual nada. O assunto incontornável da semana é a descoberta de um juiz da comarca de Limeira, SP, que usou um nome falso nos últimos 40 anos. Não, um nome qualquer. José Eduardo Franco dos Reis forjou documentos para se tornar Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield.
Como toda a mentira tem um fundo de verdade, Edward é José Eduardo. O pseudônimo tem nome de rei e o sobrenome verdadeiro é Reis, Franco dos Reis. E a coincidência pára por aí. Limeira e Canterbury são cidades que nada têm em comum.
Observe que não se trata de um falso juiz. Não foi José Eduardo quem passou no concurso para juiz do Estado de São Paulo, foi Edward Albert mesmo. Será que ele é parente do cantor Morris Albert? Aquele da música Feelings? Whatever!
Que devaneio! Imagino que uma das inspirações de José Eduardo foi o clássico David Copperfield, de Charles Dickens. Seu último sobrenome, Wickfield, é o mesmo da personagem do livro, amiga e confidente de David, Agnes Wickfield. Já o nome Lancelot, por enquanto, é um mistério.
Pois essa história extraordinária me lembrou de Índio, um dos serventes da firma de engenharia onde trabalhei. Índio era de fato descendente dos povos originários das terras onde vivemos. Antes de trabalhar conosco, era conhecido como Come Rato, até que um primo meu resolveu ajudá-lo a conseguir os documentos para trabalhar.
Ele não tinha uma identidade e tiveram que começar pelo Registro Civil. Lá, ele precisaria escolher um nome. Daí a surpresa dos presentes. Perguntaram-lhe como ele gostaria de se chamar e Índio não titubeou: “meu sonho é me chamar Otávio Ferreira da Silva”.
E assim Índio foi registrado, com o nome dos seus sonhos. Nunca soubemos de onde ele tirou o Otávio, o Ferreira e o Silva, mas certamente, suas razões nada tem a ver com o desejo de José Eduardo ser Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, o eminente juiz de São Paulo.
Caceta! Só tem maluco solto por aí… será que vou mudar meu nome para Simone Bacamarte?
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