A principal notícia da semana foi o resgate bem sucedido de dois astronautas americanos, após nove meses à deriva no espaço. Confesso que não fui além das manchetes. Bastou saber que voltaram vivos ao nosso velho planeta e, infelizmente, constatar que o homem é capaz de ir muito longe, mas não deseja tratar dos problemas de perto. Welcome back astronautas!

Encantos e desencantos do universo à parte, volto ao tempo em que assistia à série de televisão Perdidos no Espaço. Passei a infância, aguardando a volta da família Robinson para casa. Quanta ansiedade! Na espaçonave familiar, havia um casal com três filhos, um astronauta amigo da família, louco para namorar a filha mais velha, um robô que gritava “perigo, perigo” e o Dr. Smith, um cientista inescrupuloso. O tempo passava, aquele grupo voava de planeta em planeta, fazia contato com alienígenas, se punha em perigo, perigo, conseguia escapar, mas jamais retornou à Terra. Eles ficavam cada vez mais perdidos no espaço e na minha TV.

Mas a história da semana teve final feliz e imagino a sensação desses astronautas chegando em casa. Aliviados, sem dúvida. Surpresos com alguma mudança no planeta desde que partiram? Certamente, não! Por sorte, não moram no Rio de Janeiro, pois além do gás, da luz, do telefone e da internet cortados, seus nomes estariam negativados no SPC, o serviço de proteção ao crédito.

E mais! A caminho do banco, para liberarem os cartões bloqueados, tropeçariam no mesmo buraco que fará aniversário em abril. A lei da gravidade é implacável nas calçadas do Rio. Mas o maior susto, se cá morassem, viria das prateleiras do supermercado. Perigo! Perigo! Os astronautas ficariam horrorizados com o preço do café e dos alimentos em geral. Na estratosfera!