
Pela raiz comum, compreendemos muito das línguas latinas, dos idiomas dos nossos primos italianos, franceses, catalães, espanhóis, galegos… Sem falar dos improvisos, como o célebre portunhol, que, se falado com a língua entre os dentes, fica muito bom, tal qual o perfume das açucenas (“asssusssenas”).
Mas trato aqui da infinidade de golpes no idioma francês, os “coups”, cujo som é kú, da mesma forma que os “cous” (pescoços). Estes, sem a letra pê, inspiraram um sketch hilário protagonizado por Luís Fernando Guimarães e Fernanda Torres, que falam “un petit pois de français” (link no final).
Mas voltando aos “coups”, há vários! “Coup de chance” (golpe de sorte), “coup de pied” (pontapé), “coup de poing” (murro), “coup d’oeil” (olhadela), “coup de main” (mãozinha, ajuda) e o compassivo “coup de grâce”, que, alto lá, não significa o que os piadistas de plantão supõem. Trata-se do golpe de misericórdia. Você sabia?
Finalmente, devo citar o “coup d’Etat”, famosíssimo nas repúblicas latino-americanas. É o nosso, para lá de familiar, golpe de Estado, em geral, dado por patriotas guardiões das tradições, das famílias e da propriedade. Mas o desejo de permanência no poder e os arroubos autoritários não são exclusivos dos países localizados sobre a linha do Equador e abaixo dela.
Muito recentemente, na sofisticada, libertária, igualitária e fraternitária França, seu presidente, que atende pelo nome de Emmanuel Macron, não se fez de rogado com o resultado das eleições, que deu a vitória aos partidos de centro-esquerda.
Numa canetada, ele indicou um político de direita para assumir o cargo de primeiro ministro. Ora, ora, até tu Macron? Até “vous” (wú)? Atenção! Este “coup de Macron” poderá sair pela culatra ou… coulatrrre, se prreferrir.
Vale a pena conferrir Luís Fernando Guimarrães e Fernanda Torres!
melhor coup de gueule que já li sobre essa nova modalidade de coup.
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rsrsrs
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