
Determinadas histórias não deveriam terminar tão rapidamente. A criança sexagenária que aqui escreve lamenta quando certas tragédias não são resolvidas em novos atos, cenas ou capítulos, assim como histórias felizes não possam apaziguar nossa alma por mais tempo.
Não raro, passamos dias ou horas sofrendo, para lermos ou assistirmos, em pouquíssimas linhas ou imagens, o tão esperado encontro e o desfecho feliz.
Os happy endings costumam ser rápidos demais. O ideal é que depois daquele beijo fique bem claro que os apaixonados serão felizes para sempre e que não lhes faltará saúde nem dinheiro suficiente para pagar as contas do ninho do amor. Sugiro que assistam ao clássico An Affair to Remember, com Deborah Kerr e Cary Grant, e pensem a respeito.
Na mesma linha, em obras de suspense, quando a mocinha consegue matar o psicopata que a persegue, é bom que fique tudo esclarecido na polícia. Qualificaram o ato como legítima defesa? Ela vai ficar livre ou substituirá um tormento por outro? Nem sempre surgem cenas extras ou posfácios para saciar a minha curiosidade…
Não chego a desejar uma vida totalmente cor de rosa ou explicadinha. Nunca cogitei que, na cripta dos Capuletos, Romeu esperasse um pouco mais antes de se matar. Se assim fosse, a força da peça de Shakespeare não seria a mesma decorridos mais de 400 anos. Porém, na adaptação para o cinema, bem que dá vontade de gritar para a tela um “espera, cara, ela não está morta! Tomou a poção do padre!”
Portanto, para o bem ou para o mal, lanço a questão: continuar ou não continuar? Precisamos imaginar tudo depois do “Fim”?!
na
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Na época dos Capuletos e Montéquios não havia zap, o que daria continuidade a muitos finais…..
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Sim! E Shakespeare é um melhor influencer! Há seculos!
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