É muito comum nos darmos conta de que a vida passa rápido e nos privamos da convivência com pessoas queridas. Em velórios, por exemplo, essa sensação de desperdício de tempo é fulminante ao reencontrarmos alguns parentes e amigos.

Errei ao supor que feicebuques e congêneres manteriam apertados os laços de amizade e afeto. Ao contrário, essas geringonças são capazes de afastar mais do que unir, tamanha é sua rede de intrigas, tecida por algoritmos interesseiros e manipuladores.

“Poxa! Fulana foi totalmente indiferente à minha mensagem”. “Não compreendo por que Sicrano não me convidou”, E lá se vão amizades reais por razões virtuais. Fulana jamais recebeu a mensagem de Beltrana, que também não viu o convite de Sicrano. Afinal, é Zuckerberg quem escolhe com quem nos encontramos e sentamos à mesa. O festim das redes sociais é promovido por ele e delegamos ao seu negócio bilionário a administração e o cultivo das nossas relações.

Nos tempos em que vivemos, não nos iludamos: a campainha da porta e o telefone fixo não vão tocar; os almoços em família na casa dos pais se foram com eles; a carta não chegará e nem mesmo o e-mail. Mas se há espaço para algum otimismo, é que Zucke ainda (!) não se intromete na morte das pessoas, de modo que as promessas de reencontros poderão se renovar a cada homenagem póstuma, em velórios, sepultamentos, ao pé dos túmulos e em missas de sétimo dia. Enquanto há mortes, há esperança!