
Expressões estrangeiras por vezes requerem pesquisa. Deepfake? O que é isso? São imagens, estáticas ou em movimento, que nunca existiram no mundo real, que podem e têm sido utilizadas ardilosamente para plantar dúvidas e colher vantagens.
No meio político, por exemplo, a deepfake já se prestou a minar a reputação ilibada de um ex-governador do Distrito Federal. Viu-se um filme na TV de Sua Excelência colocando um maço de dinheiro nas meias. Mas, alto lá! Aquilo não foi falso! Pode ter sido deep, baixo, muito baixo, mas foi real. Na época, a tecnologia a serviço das deepfakes sequer era empregada no Brasil e pesquisei mais a fundo.
As imagens e os sons falsos, truncados, são produzidos por meio de inteligência artificial e começaram a ser difundidos em 2017, quando foi produzida uma cena de incesto da atriz que interpretou a Mulher Maravilha. Uma canalhice que de lá para cá só faz crescer!
Em 1940, o gênio Charles Chaplin produziu seu primeiro filme falado, O Grande Ditador. Quem não se lembra das imagens daqueles que seriam “Hitler” e “Mussolini” disputando o lugar mais alto na mesa do poder? E daquele “Hitler” se divertindo com o globo terrestre nas mãos? Terá sido Chaplin o precursor da deepfake? Definitivamente, não! Não é mentira, é ficção. É a arte a serviço da verdade, com artistas nos papéis de Adenoide Hynkel e Benzino Napaloni.
Mas, hoje, com a tecnologia disponível, o filme de 1940 e outras imagens de arquivo podem se tornar muito “reais” para os nossos sentidos. Alguma cultura e senso crítico são necessários para separarmos o verdadeiro do falso. Por outro lado, a tecnologia contemporânea pode ser usada para o bem e com arte. Ocorrem-me dois exemplos.
Há algum tempo, a mixagem das vozes de Nat King Cole e Nathalie Cole, pai e filha, produziu um dueto virtual maravilhoso. Cantaram a balada Unforgettable. Mais recentemente, uma propaganda de carros reuniu Elis Regina e Maria Rita, mãe e filha, soltando suas belas vozes em “Como nossos pais”, de Belchior. Portanto, ao lado de tanta mentira e de tanta coisa para esquecer, há bons momentos inesquecíveis a serem gravados na memória ou num computador qualquer para as futuras gerações.
que beleza de apreciação, principalmente porque nos mostra que podemos ter realidades virtuais que nos trazem uma imensa sensação de verdade…
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