Os chás são consumidos na China há mais de dois mil anos. Na Europa, desde o século XVII, quando se tornaram uma espécie de patrimônio cultural. No Brasil, também se toma chá, mas é o cafezinho o nosso equivalente desse hábito milenar.

Mas não trato de infusões, e sim de outros tipos de chás. O Chá de Panela não é novidade. Presta-se a reunir amigos para amealhar utensílios domésticos para um futuro casal, mesmo que, depois, circule uma lista de casamento com sugestões de presentes para a casa dessas mesmas pessoas.

Se os noivos já têm tudo, pouco importa, as tais listas são pulverizadas em partículas de sonhos dos nubentes, sendo possível, por exemplo, comprar a sobremesa que os pombinhos comerão durante a Lua de Mel num bistrô charmoso. A refeição principal ficaria a cargo de outro convidado.

Adiante, fruto dessa união, o mais espetacular e contemporâneo de todos esses chás: o Chá de Revelação – um encontro para revelar o sexo do bebê a caminho. São servidos salgadinhos, docinhos e bebidas variadas, menos chá, em torno do que a ultrassonografia revelará: pênis ou vagina. Não é o máximo?! Há decorações instigantes para a ocasião, quadro de apostas e formulários para sugestões de nomes para ele ou para ela.

Na sequência, o tradicional Chá de Bebê, para ajudar os futuros pais na compra de fraldas, mamadeiras e chupetas. Portanto, qual chá das cinco qual nada: Panela, Revelação e Bebê! E sugiro mais dois, que poderão render mais confraternizações. O primeiro, o Chá de Separação, será incontornável, considerando os custos de um divórcio e a necessidade de transformar uma casa em duas.

Por fim, para não desperdiçar o que poderá ser a última oportunidade de promover um evento, o Chá de Cremação. No meu caso, quando o bom Deus decidir a hora de eu ir desta para a melhor, pretendo que a decoração do meu chá derradeiro seja o Pica-Pau, com muito humor e gargalhada. Mas uma decoração inspirada nos Três Patetas também seria uma boa opção. Não morro antes de decidir.