Hoje, tudo é para ontem e não é à toa que a Síndrome do Coelho de Alice está próxima de se tornar pandêmica. Trata-se de uma patologia em que os sentimentos de urgência, pressa e ansiedade tomam conta de nós. Seu nome deriva das Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll (1865 !!!).

O coelho branco olha seu relógio o tempo todo e diz que está atrasado, muito atrasado. Milhões de nós, seres humanos do século XXI, também nos sentimos constantemente atrasados. Receamos perder o trem da história que sequer foi contada e os eventos que possam surgir. Não podemos deixar escapar as últimas oportunidades, muito menos ficar alheios às últimas notícias. Temos pressa! Não sobrevivemos sem Natuza e a Globonews.

Pois existe um verbo em francês que representa justamente o contrário da pressa. Para nós, lusófonos, ele soa meio esquisito. É o verbo mijoter. Sim, mijoter. O tradutor afoito, antes de colocar a palavra no Google ou ligar para um amigo ou amiga juramentados, pode imaginar que “Pierre estava apertado para mijoter.”

Mas não é nada disso! Mijoter é cozinhar lentamente, para que o prato chegue à mesa no cozimento perfeito e com os sabores dos condimentos no seu esplendor. Mas creio que esse método tenha pouca importância na “civilização do miojo”, dos macarrões instantâneos. Daí, perdoe o neologismo, mas seríamos muito mais felizes e saudáveis se “mijotássemos” mais. Tudo tem seu tempo… e ele não precisa ser tão curto.

NT Mijoter também pode ser tramar, urdir.