
Nem só de más notícias sobrevivem os veículos de comunicação. Li com bons olhos o fim do programa das escolas cívico-militares no Brasil, uma espécie de pacto sinistro da União e dos estados, tramado contra a Educação Nacional. Digo fim, mas há resistências em alguns governos regionais, em particular Minas, que dá leite, São Paulo, que dá café, e Rio de Janeiro, que dá samba, mas atualmente dança sob as ordens da Milícia. O trio de governadores Zema-Tarcísio-Castro não quer perder o eleitorado daquele que já se foi – espera-se, para sempre.
É possível que os estados renitentes enxerguem pontos positivos no falecido programa. Quem sabe as aulas de pintura de meios fios e troncos de árvore com cal virgem? Mas creio que o principal objetivo, além do eleitoral, é manter as aulas de Adedonha. Cheguei a assistir à demonstração dessa disciplina numa escola padrão de Itapecerica da Serra. Sob um sol inclemente, perfilados, os alunos uniformizados tinham nas mãos prancheta, papel e lápis. Uma corneta soava e o instrutor gritava uma letra. “Atenção, tropa! Letra P, P de porrada!”
Em dois minutos, os alunos tinham que escrever o nome de um país, de uma capital, de um veículo, de um animal, de uma arma, de uma marca de cigarro e o nome de um colega que tivesse descumprido o regulamento da escola. Além de promover a cultura, o programa estimulava a prática da delação. Terminado o tempo, o instrutor dava um tiro para o alto e todos que tivessem concluído a missão davam um passo adiante e se colocavam em posição de sentido. Os demais, perdedores, deviam pagar 50 flexões de braço.
Em silêncio, resolvi testar-me e veio-me à mente: Panamá, Paramaribo, Passat, paca, pistola, Paquetá. Mas, no final, hesitei. O nome de alguém a delatar? Um amigo que tivesse burlado alguma norma? Seguramente, todos meus amigos e amigas descumprem ou já descumpriram alguma regra injusta ou idiota. Se bem que… embaixo daquele sol… Ainda bem que a letra não era a letra M! Não teria resistido a falar de umas certas Marias e sobre um subversivo contumaz, dado a livros, jornalista, escritor e tricolor. Mas com P? Pqp! Calar-me-ei, mesmo sob tortura! Quanto às flexões devidas, imaginei ter feito três. Como cansam!
Oi Mauro. Torto aqui. Cara, isso aconteceu mesmo? Tiro pro alto? Delação? P de porrada???? Ou foi licença poética do escritor???
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Licença poética (para matar) rsrs
Obrigado pelas curtidas e comentários
Abraço!
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