Os hábitos alimentares mudam bastante com o tempo. Mudam diante das nossas limitações, é óbvio, mas também na esteira de preferências e gostos cambiantes, desde que o orçamento e a saúde permitam alguma margem de escolha.

Nosso paladar muda, sim. As bebidas de antes não dão o mesmo prazer. Os doces muito doces passam a enjoar e as frituras se tornam pecados capitais – o que, no meu caso, afasta a possibilidade de uma passagem breve pelo purgatório. Jamais resistirei a uma travessa de batatas fritas.

Com honrosas exceções, portanto, os cardápios das nossas vidas não variam. A propósito, descobri os antepastos no La Mole do Leblon. E era tão bom que a sequência dos pratos era dispensável. Mão de vaca? Não! Duro, com certeza. Mas o que se podia desejar mais naquela altura dos anos 1980? Chope, pães deliciosos, bolinhas de manteiga, patê, linguicinha frita, pastéis de vento… O tempo levou.

Acho que o hábito de servir e pedir antepastos pode ter começado nessa época. O prato principal só não era o único porque havia as sobremesas. Mas era sempre possível ousar e comer a sobremesa primeiro. Esperar para quê? Já diz o fado: os pecados têm 20 anos e os remorsos têm 80. E tudo isso porque me lembrei do couvert do La Mole. Não é saudosismo. É saudade de uma coisa aqui outra ali, saudade do início das coisas, das entradas, das auroras.