
Quem supõe que viajar para Europa e para outros destinos glamourosos é certeza de sucesso, deve estar ciente de que o fator sorte é crucial, a começar pelo voo da partida.
No meu caso recente, a empresa aérea, franco-holandesa, poderia ter servido pães, queijos, vinhos e patisseries minimamente razoáveis. Mas ainda não sei se na origem a minha refeição pastava, nadava ou voava, se era boi, peixe, ave ou provinha de alguma seringueira.
O vinho não estava ruim, mas não atenuou o desconforto da poltrona, cada vez menor e com espaço ínfimo para os joelhos. Parecem assentos próprios para transportar frangos magros. Além disso, de tempos em tempos o assento à frente se movia na minha direção, comprimido por um passageiro que fez com que o nosso voo não saísse da zona de turbulência, digo, flatulência. Um horror!
Em terra firme, veio a fila da imigração. Tal como uma serpente colossal dentro de uma caixa de sapatos, a bicha (fila para os portugueses) aproximava gentes do mundo inteiro, a maioria sem máscara e sem qualquer memória da Covid.
Na saída do aeroporto, chovia a cântaros. O carro alugado era bom, ainda que tecnológico demais para os meus neurônios e tive vontade de matar a portuguesa do GPS: tudo errado, até que abri meu mapa e me achei.
A chegada ao Algarve foi brindada com um belo sol e temperatura amena, mas confesso que, quando cheguei a Lagos, achei que estava em Iguaba, sem querer desmerecer ambas.
O hotel era confortável, mas a moça da receção, sim, sem o pê, disse que estávamos a uma curta caminhada da Ponta da Piedade. Curta?! Longa e inóspita. Ainda por cima, torci o joelho num buraco. Ao chegar nas falésias (de fato, lindas) tive vontade de acabar com tudo ali mesmo.
Fato é que, felizmente, amanhã voltaremos para os mesmos lugares que conhecemos e de que gostamos. Essa coisa de explorar novas regiões nem sempre dá certo. É como o turista no Rio que sai do aeroporto e pega à direita na Avenida Brasil. Com sorte, chega com vida em Realengo. E a dica de que Itaipava é top? Quando o gringo chega ao centrinho dessa joia da Região Serrana, olha para a frente e enxerga o supermercado Bramil. Ele não sabe que as pérolas preciosas ficam guardadas dentro de conchas acessíveis apenas para os iniciados. E como saberia?! Em matéria de turismo, nada é evidente no Brasil, a exceção da natureza exuberante quando escapa da ação humana.
Portanto, queridos amigos, rezem por nós. Ainda temos duas semanas pela frente e não quero sentir saudade da aprazível Santos Dumont e da multa certeira por ultrapassar os 30km/h em plena Rio-BH, na altura de Ewbank Câmara. Mas, seja como for, nem que eu tenha que usar o Photoshop, vou postar fotos de matar de inveja as amigas falsas com seus olhos gordos. A primeira é essa aí, da minha poltrona no avião.
Ai, ai, Teresa, vida de turista, meus amores. Ainda assim é bom. Aproveitem, com ou sem glamour, mas com os olhos do coração.
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Muito merci, querida. Bjs! Teresa Batista nos protege.
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