Quem tem família grande sabe que não é fácil reunir todo mundo em casa. Na minha, então… Tenho uma irmã, três irmãos, três cunhados, três cunhadas e uma profusão de colaterais – o que, em geral, além de confuso, impede que irmãos e irmãs de afeto participem dos encontros. Ou desencontros…

Mas de uma coisa ninguém pode reclamar! Com a polarização das últimas eleições, reunir a família ficou muito mais fácil. Explico. Como teve parente que até cuspiu em santinho mandado no grupo do zap, santinho mesmo, não foi colinha para o dia das eleições, decidimos fazer um almoço apenas para os que votaram no Lula, recomendando que um análogo seja feito para o outro grupo, excluindo nulos e sonsos, que nunca ajudam mesmo. Estes chegam, comem, bebem e não soltam nem um pio.

Acho que dará certo. Nós, à esquerda da foto, marcamos para o próximo sábado. Estamos com saudade e, de quebra, temos motivos extras para comemorar. Depois de uma longa discussão, o cardápio foi definido, diferentemente das festas do outro grupo, em que uma tia sempre decide tudo sozinha. Não consulta ninguém, nem mesmo para saber das alergias das pessoas.

Seja como for, há razões para todos ficarem felizes. Com a família dividida, o ar condicionado dará vazão, ninguém vai atirar cinzeiro em ninguém e, aqui em casa, vai sobrar muito mais pudim de laranja. Tenho um cunhado bolsonarista que costuma se servir de pudim só para me agredir. Deixa tudo babado no prato de propósito.

Apenas uma coisa me preocupa. Minha tia que tem um retrato do Carlos Lacerda na sala, disse que, em sinal de paz, mandaria uma torta de maça para a gente. Sei, não… A cretina realmente faz uma torta dos deuses, mas não duvido que desta vez ela venha mais crocante, com vidros moídos na massa ou com uma calda especial de cianureto de potássio. Família, pátria e Deus nos acuda!