Quem trocou o show do Caetano para assistir ao debate dos candidatos a governador, antes de se acomodar no sofá, não deve ter esquecido de abrir um vinho em lata demi-sec quente. Pois é… Nem um tratamento de canal seria pior para terminar o já melancólico domingo! Assisti por dever de ofício, sem vinho em lata, óbvio!

A emissora informou que as regras do debate tinham sido previamente acertadas com os representantes dos candidatos, mas insistiu em repeti-las no final de cada bloco, seguido pela vinheta das “eleições 2022” e por comerciais. Sim, há empresas que patrocinam esse tipo de show: “Eleições 2022, patrocínio de Vomiton”; “Dormebem, infalível para insônia”; e “Crédito consignado é no Banco Tupinambá”.

Enfim… No primeiro bloco do debate, os candidatos tiveram um minuto e meio para agradecer à emissora, a Deus e a falar de sua origem humilde. Apressaram a fala para não ter o microfone cortado, olharam para a câmera 1 e deram um sorrisinho. Basicamente, isso.

No segundo bloco, os candidatos escolheram outro candidato para perguntar aquilo que eles próprios queriam responder na réplica. A resposta inicial era irrelevante. O treinador de mídia tinha dito que era assim mesmo e que o candidato teria 30 segundos para inspirar confiança no eleitor. Aquele que, por sorteio, não pôde se dirigir ao principal adversário, perguntou para o candidato do partido nanico se ele concordava que o outro tinha mau hálito e fez mais uma ou duas considerações grosseiras.

No terceiro bloco, os candidatos apresentaram seus principais programas para as áreas de Educação, Saúde, Transporte e Segurança Pública. Todos olharam para a câmera 1, franziram a testa e disseram que você que é dona de casa sabia do que ele estava falando. Todas as escolas teriam turno integral. As crianças tomariam café da manhã, almoço com batata frita, lanche e jantariam na escola, voltando para casa com banho tomado.

Os postos de saúde funcionariam 24 horas. Por dia!!! O caos do transporte acabaria porque ele, como governador, construiria o metrô, ligando Porciúncula a Mesquita e implantaria o serviço de barcas entre Paquetá e Sepetiba, em quatro anos de governo. “Dá tempo! Com gestão e vontade política!” Com inteligência, a violência acabaria em seis meses (déjà vu?). 

E mais! Todos os projetos seriam bancados pela iniciativa privada, sem nenhum dinheiro público! Com as finanças em ordem, aumentariam os salários dos valorosos servidores públicos, dobrariam o valor do vale botijão e criariam o Bolsa Dança de Salão, “para você dona de casa se divertir”.

No quarto e último bloco, os candidatos dispuseram de dois minutos para suas considerações e mentiras finais. Todos sorriram. Eu chorei. Aquele ou aquela ou “aquelo”, que não promete nada, que admite que ninguém governa sozinho, que diz que terá que fazer alianças desconfortáveis e que será muito difícil tirar o pé da lama, não foi ao debate porque tinha o show do Caetano. Acho que foi isso!