
Dizem que todo homem e toda mulher têm seu preço. Mas não me ocorre nenhum valor para etiquetar na minha testa antes de compreender os parâmetros. Tamanho do nariz? Peso e altura? Taxa de colesterol? Cargo ocupado no governo? Não sei, não… Talvez a questão principal não seja por quanto uma pessoa se vende, mas para quem e para quê.
Tenho amigas – e também amigos – que se venderiam para o George Clooney por R$ 1,99. Outros – e também outras – que cobrariam ainda menos para uma transferência de propriedade para Scarlett Johansson. Mas vender-se para um pastor evangélico fajuto? Para empresários que combinam ternos verdes com gravatas amarelas? Para indústrias que vendem próteses penianas às Forças Armadas?! Francamente! Isso não tem preço! Tudo bem que a economia não está para a compra de mísseis do tamanho dos que o Putin exibe, mas a compra de Viagra e de pênis inflável do Governo deveria estar no orçamento secreto. Cadê o decoro?
A propósito, ontem, cansado de abastecer o carro a conta gotas, decidi fazer uma extravagância e encher o tanque. “Bom dia! Complete com álcool, por favor.” Um minuto depois, ao dar aquela olhadinha para conferir se a bomba estava zerada sem ofender o frentista, vi que ele estava colocando gasolina! “Eu pedi álcool!” “Desculpe, senhor, me enganei, mas a gasolina está na promoção.” Promoção? Para quem?! Paciência, desgraça pouca é bobagem! Resultado: R$ 340,00, a imagem de notas com asinhas voando e o fim da abstinência do uso do cartão de crédito.
Mas a questão existencial da semana, ainda sem resposta, é se temos um preço. A medida não importa muito. Reais, euros, rublos, litros de gasolina, garrafas de Don Pérignon ou quilos de tomate podem ser convertidos em criptomoedas. Mas alguns podem se ofender com seu preço cotado em dúzias de cebolas ou números de botijões de gás. De qualquer forma, do jeito que as coisas estão subindo, é bom baixarmos a crista e cogitarmos fazer um leilão de nós mesmos. De minha parte, adianto: corpinho de cinquenta e dez (incompletos!), dentes saudáveis, humor razoável, domínio das quatro operações, esposa, uma filha e um cachorro. Quem dá mais?
Faltou acrescentar que é um cronista de mão cheia. Mas fez bem, a inteligência não anda lá muito bem cotada.
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É verdade! Rsrs
Bjs
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