Depois de abraços ainda tímidos, desconfiados, mas finalmente vacinados, reencontro amigos que não via há muito tempo. Com os copos cheios e beliscos na mesa, as conversas se iniciam meio caóticas, mas não tardam a adquirir a naturalidade de outrora. Estar com os amigos é como andar de bicicleta – a gente nunca esquece. O fundamental é não surgir um novo vírus separatista.

Era preciso retomar o fio da meada. A gente falou do que viu, do que leu e os assuntos se multiplicaram, sobretudo, diante do volume de informações que recebemos on-line. O jeito, então, foi apelar para os trending topics, que aprendi serem os temas mais comentados nas redes sociais.

Que tal falar sobre o filme “Não olhe para cima”? Tornou-se um tema incontornável, apesar de eu não ter gostado tanto do que assisti. Opinamos sobre os personagens, sobre as interpretações de monstros sagrados do cinema e, como todo mundo, fizemos analogias.

Mas não sei… Quando eu gosto muito de um filme, depois que a sessão acaba, ele vem atrás de mim. Determinadas cenas e diálogos são tão marcantes que nos capturam… Desde a sensação de flutuar numa dança inusitada às margens do Senna (https://youtu.be/0g2PgZnUj7M) até ao alívio de ter escapado da perseguição de um psicopata dirigindo um caminhão fumacento.

Há dezenas de filmes extraordinários que prendem nossos olhos na tela e nos acompanham pela vida toda. “Verdi è morto!” – lembro do 1900 e de uma notícia impactante que não veio pelo Twitter. Ou da cena de um homem gritando do alto de uma árvore: “Io voglio una donna!” (Amarcord) https://youtu.be/PKKSDSrMtLs Também me ocorre o Al Pacino convidando a linda Gabrielle Anwar para um tango, no filme Perfume de Mulher. Não há spoiler que tire o suspense da cena. O personagem não olha para cima, para baixo nem para os lados. É cego. Será que conseguirá conduzir a parceira até o fim? (https://youtu.be/2Yg1KX-Wgt8)

As previsões para 2022 também foram inevitáveis, mas o reencontro foi muito esperado para desperdiça-lo evocando a sombra daquele cujo nome não digito. Decidimos que a história do país teria um final feliz. Imagino o roteiro…

Até o primeiro domingo de outubro, será muita ação, baixas inevitáveis, mas o drama estará perto do fim. Consumada a derrota dos vampiros nas urnas, eles se fecharão no castelo, cercados por harpias colossais e tanques de guerra. Lança-chamas incendiarão as florestas ao redor e esconderão o sol até a noite do dia 31 de dezembro de 2022.

O suspense será quase insuportável. O sol permanecerá escondido? Seremos condenados às trevas? Quanta tensão! Mas, antes de soar a última badalada da meia noite, a bateria da Estação Primeira de Mangueira anunciará o tão esperado Réveillon e o dia brilhará no mar de Copacabana. Um cometa? Um avião? Não! 2023! O sol da meia-noite em pleno Rio de Janeiro! The End dos vampiros e de um pesadelo de quatro anos.

Sobre o filme do cometa, que afinal rendeu tanta conversa, minha impressão é de que não virá atrás de mim. Acho que exageramos na dose… Mas não nos víamos há tanto tempo… Feliz 2022 para todo mundo!