
A cor dos meus cabelos
Fala-se muito da peruca do ministro da Suprema Corte e dos implantes capilares de outros homens poderosos da República, mas trato aqui da cor de cabelos de verdade: um dos novos hábitos pós pandemia da Covid, como embebedar as mãos de álcool e cumprimentar as pessoas com o cotovelo.
A mudança da cor dos cabelos das mulheres é evidente. Os tons de cinza e branco se multiplicaram e uma amiga me disse que deixar de pintar os cabelos é libertador. Perguntei se equivaleria a queimar sutiãs, mas ela respondeu secamente que não era nada daquilo e eu me calei.
Mas como um atento observador, relembro-me de outras “coqueluches”, de outras modas, como a de mulheres com cabelos lisos fazerem permanente, ou seja, aplicarem produtos químicos para deixá-los crespos. No sentido inverso, passarem os crespos a ferro ou usarem outro tipo de química. Quem não se lembra das propagandas do Henê Maru e do Alisante Fleury, que alisavam cabelos de louras e morenas deixando-os macios e sedosos? Os (mais) jovens, lógico!
Portanto, a moda já foi dos cabelos afros, dos lisos como os das japonesas ou claros como os das suecas. Já andei pelas ruas do Rio, sentindo-me na Escandinávia. Não pelo clima, lógico. Mas vendo louras por todos os lados. Muitas, com rostinhos de Gabriela Cravo e Canela e cabelos de Grace Kelly: dois exemplos de beleza que, perdoe, não deveriam se misturar.
Nos campos de futebol, os homens fazem parecido com a barba, com o cabelo e com o bigode. Acho esquisito, mas sempre que cito o João Saldanha, que dizia que jogador com determinado tipo de cabelo não jogava no time dele, minha companheira me censura. “Deixa eles! Eles gostam”.
Agora são os cabelos brancos… Ok! Elas gostam! “Espelho, espelho meu, existe no mundo cabelo mais lindo do que o meu?” Se a pessoa se sente bem, é o que vale. Mas meu cunhado discorda. Quando, recentemente, minha irmã disse que não pintaria mais seus cabelos, ele reagiu: “ok, Aninha, vou amar você de qualquer forma, mas, se você fizer isso, vou pintar os meus de acaju”.
Acho que foi uma maneira sutil e carinhosa para demovê-la do projeto. Seja como for, são coisas da moda. Gosto não se discute! Pelo menos, com liberdade. E não duvido que muito em breve passemos, todos, todas e, ok, todes, a usar a máquina zero à Yul Brynner. Prometo não criticar! Já estou até ensaiando com algumas entradas.
Mauro, já fiz uma matéria sobre cabelos brancos pós pandemia no portal https://www.annaramalho.com.br/assumindo-os-fios-brancos/, mas a sua reflexão é muito mais profunda…. e me instigou a um novo olhar sobre o tema! Aguarde!
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Poxa, Lu. Não tinha lido e até fiquei com vergonha… Mas o meu é pura provocação. Bjs
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Só para enriquecer a pesquisa: deixei de pintar os cabelos por falta mesmo de dinheiro, rssss.
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hahaha, não tem almoço nem pintura de graça.
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