Mais uma letra do alfabeto grego surgiu para infernizar a vida das pessoas: ômicron, a nova variante da Covid. Quem pode e gosta de viajar recebeu a notícia como uma pá de cal nos projetos para o futuro próximo. Quem perdeu o trabalho, faliu ou precisa ganhar a vida na rua ainda corre atrás do prejuízo do passado recente.

Antes da Covid, do alfabeto grego, eu conhecia alfa, beta, gama, delta, ômega e pi (π). E sei até hoje que pi equivale a um número importante nas aulas de Geometria, das pouquíssimas áreas da Matemática que fazem algum sentido para mim. “Pi” e “r”, de raio, estão juntas em fórmulas para calcular o perímetro e a área dos círculos. Eu as decorei com facilidade, graças ao nome “Pierre”, o popular “Pedro” dos franceses. Dois “pierres” e “pierre” ao quadrado.

Que viagem! Mas volto ao tema e à constatação de que a Covid é uma metamorfose ambulante. Essa peste quer fechar as fronteiras e viajar sozinha pelo mundo, sepultando de vez o turismo presencial, quando nossos corpos são efetivamente transportados no espaço. Já, dentro das fronteiras, o objetivo desse vírus franco atirador é o de trancafiar as pessoas em casa, impondo-lhes uma existência virtual. Não haverá vida fora da Internet e, sobre isso, pulularão séries no Netflix.

É inacreditável! Jamais imaginei a nossa Terra redonda fragmentada por tantas barreiras sanitárias. Os otimistas dizem que o novo normal virtual será melhor do que a nossa velha realidade. Toda família, por exemplo, terá uma Alexa, aquela bola da Amazon que faz um monte de coisas pelo comando da voz. “Alexa, acende a luz.” “Alexa, toque uma música e ligue o microondas”. Quem viver terá!

Aliás, viajando longe nas memórias, me veio o filme “O dorminhoco”, do Woody Allen. Lembro-me que havia uma esfera metálica chamada Orgasmotron, que fazia as pessoas viajarem pelos mais deliciosos sentidos. Portanto, que venham ômicron, delta, ômega, lamda, alfa, beta e pi, de Pierre! Teremos a Ciência sempre ao nosso lado e, brevemente, todos terão o antídoto para todos os males: uma Alexa! A versão pós-moderna da Orgasmotron.