
Recebemos a boa notícia de que mais um sobrinho-neto está a caminho. Ou sobrinha-neta. E a primeira pergunta da família à futura mãe foi se já tinham escolhido o nome da criança. De saída, lembrei-me do filme francês “Qual o nome do bebê” ou “Le prénom”. É bastante divertido, assim como são controvertidas determinadas escolhas. Há milênios são atribuídos nomes para as crianças que nascem e sobrenomes para as famílias: associações a ofícios, a elementos da natureza e também a gostos muito pessoais e peculiares dos progenitores. Não faltam histórias curiosas e engraçadas.
Minha sobrinha fez duas listas das suas preferências, (vírgula!) por sexo. Mas custo a crer que delas conste nomes como Apolinário, Astolfo, Sinfrônio, Lucrécia, Salomé e Cleópatra. Da mesma forma, ninguém pensa mais em dar o nome de uma filha de Creusa. Mas já foi muito popular… Também saíram de moda os nomes aglutinados. Lindoneusa, filha de Lindomar e Neusa, ou Emilene, cujo pai era fã de Emilinha e a mãe do fã clube da Marlene.
Mas o caso mais insólito aconteceu com meu tio-avô Amílcar. Quando sua segunda filha nasceu, ele queria que se chamasse Aimée, mas minha tia insistia que fosse Angélica. Como coube a ele o registro, oficialmente, naquela data nasceu Aimée – o que provocou a fúria da mãe, que ignorou solenemente a certidão de nascimento e passou a chamar a nova filha de Angélica. Anos mais tarde, a reconciliação, a gravidez, uma nova menina e uma solução baiana. Meu tio registrou a terceira filha como Angélica, que passou a ser chamada em casa de Aimée, para felicidade e confusão de todos.
Nas monarquias, os membros das casas reais não têm maiores problemas com as escolhas. Tem o direito divino a tudo, inclusive, a todos os nomes disponíveis. Não houve briga entre os pais do Imperador Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina. Pedrinho foi chamado de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Teresinha era Teresa Cristina Maria Josefa Gaspar Baltasar Melchior Januária Rosalía Lúcia Francisca de Assis Isabel Francisca de Pádua Donata Bonosa Andréia de Avelino Rita Liutgarda Gertrude Venância Tadea Spiridione Roca Matilde. Que tal?
Há sempre uma solução. O importante é que seja uma criança saudável e amorosa e aconselhei minha sobrinha a não brigar com o marido por conta do nome do bebê. Se não houver consenso, que adotem a mesma solução dos Bragança e Bourbon. Dentro de alguns dias, creio que sairá o veredito. Saberemos o nome do bebê. Façam suas apostas! Ah! Um registro importante: anos mais tarde, adultas, as filhas do tio Amílcar, Aimée e Angélica, corrigiram o imbróglio. Aimée deixou de ser Angélica. Angélica deixou de ser Aimée.
Gostei da vírgula, e sempre me delicio com os causos da sua família!
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