Os crimes cometidos pelos que deveriam proteger as vítimas são ainda mais impactantes. Depois do espanto de quem sofre o golpe, vem o medo, o pavor, as dores, a asfixia e a morte. Em resumo, tortura. E nosso estarrecimento aumenta quando tomamos conhecimento de que outras pessoas sabiam de tudo e se calaram. Por quê? Medo de retaliações ou oportunismo? Se tivessem agido a tempo, teriam evitado o pior. Não podem sair impunes!

Mas, além dos cúmplices diretos da tragédia, existe um público que acredita na versão dos monstros, por mais absurda que seja. Dizem que a imprensa é composta de abutres que distorcem a realidade. As mensagens privadas vazadas estariam fora do contexto. Ninguém pressionou ninguém a se calar, a apagar registros ou a desviar o foco do crime. Forjam álibis e desenvolvem teses mirabolantes para negar tudo.

Paralelamente, os criminosos trabalham as suas imagens. As redes sociais se prestam para tudo e podem perfeitamente transformar uma fera numa bela, uma fruta amarga num doce e, principalmente, um bandido num mocinho. Não perdem tempo. Os perfis são retocados. É preciso negar as acusações e espalhar o quão maravilhosos são. Seus retratos devem espelhar harmonia e maquiadores e cabeleireiros devem caprichar antes do selfie ideal.

Eles reagem às evidências, negando a ciência. Sustentam que os peritos não sabem de nada. Os laudos não seriam conclusivos. Mas as imagens a que assistimos todos os dias são tão fortes… Os números impressionam tanto… Por que os assassinos não confessam logo? O golpe que pretendiam dar fracassou. Que parem de mentir e abreviem o desfecho do processo! É preciso virar todas as páginas que restam para o fim dessa história e cuidar para que nada disso se repita. Sabemos perfeitamente que mais de 370 mil brasileiros mortos pela Covid até hoje não caíram da cama.