
Semana retrasada, minha mãe completou 90 anos. “Não é tanto assim”, ponderei com ela. “Pense em francês. São quatre-vingt-dix!” E ela está tão bem, que, além da felicidade de vê-la ativa e independente, comecei a me preocupar. Vai que chego até 2052! Como será a minha odisseia em tanto tempo?
Quando nasci, a televisão e o telefone já existiam. Sete anos depois, o homem pisava na Lua. Vivi a abertura política no Brasil depois da ditadura militar, momentos de mais esperança e o retrocesso político atual. Mas daqui a 32 anos tudo vai ser diferente! Quem sabe muitos aprenderão a ser gente e aprenderão que o orgulho não vale nada, nada? Mais ou menos como cantará o Rei Roberto Carlos no especial de fim de ano da Globo, aos 112 anos…
De volta ao presente, ao mundo de máscara, até que esta semana começou melhor, com notícias mais promissoras na agenda da Justiça e da Política. Mas não alimentemos grandes ilusões! Há muito trabalho pela frente, reconciliações necessárias e a correção de rumos importantes. E sobre trabalho e tempo – o pensamento voa – fiz outra conta inquietante, a ser revista num futuro próximo, assim espero. Em 18 anos e aos 39 anos de idade, o primogênito do capiroto comprou uma casa de R$ 6 milhões, sem nunca ter herdado qualquer centavo. Ora, o rapaz pode ser esforçado e ser o orgulho da sua família, mas se ele ganhasse um salário mínimo por mês, como 27 milhões e trezentos mil brasileiros, segundo o IBGE, ele só realizaria o sonho da mansão própria no Paranoá no ano de 2475.
A esperança para alguns é a última que morre, mas creio realmente que não precisaremos esperar quatro séculos e meio para realizar alguns dos nossos sonhos. 2023, por exemplo, poderá ser bem melhor. O futuro a Deus pertence… De todo modo, imagino que só pessoas iguais ao primogênito do capiroto morarão em mansões na superfície da Terra. Nós, outros, moraremos junto com os nossos dados do computador, em nuvens macias e confortáveis, ao lado de todas as pessoas queridas.
E sem nunca mais ter que usar máscaras, antevejo os aniversários da D Nininha no futuro, que comemoraremos nas nuvens, com champagne, aproveitando a ocasião para lançar raios que os partam e fazer chover a cântaros sobre os casarões bregas de Brasília. Tudo isso porque bom mesmo é ter a consciência tranquila, estar no lado certo da luta, ser feliz e mais nada, nada. Nada, nada.
Eu sinto muito orgulho por ter tido a Nininha como aluna. Tenho absoluta certeza que ela sempre esteve do lado certo da luta. E mais não digo porque caiu um cisco aqui.
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