
Nunca me interessei por ornitologia, mas, no final de 2020, que Deus o tenha, li textos interessantes sobre os cisnes negros. Até o século XVIII, era considerada uma espécie inexistente, assim como não há registros sobre galinhas verdes e tartarugas com asas. Mas esse véu de ignorância caiu quando a ave negra foi avistada na Austrália.
Na esteira de um dos artigos veio um ensaio sobre o cisne de Tuonela, também negro, que, de acordo com lendas finlandesas, flutua pelas águas que conduzem ao mundo dos mortos. Quem já ouviu e se recorda do poema sinfônico do compositor Jean Sibelius, de mesmo nome, tem a exata medida do que representa o canto melancólico do cisne.
Mais adiante, esbarrei na Teoria do Cisne Negro, que diz respeito a acontecimentos muito fortes e muito improváveis, que dão verdadeiras rasteiras na humanidade. O assunto foi tratado pelo filósofo inglês John Stuart Mill e a teoria propriamente dita foi desenvolvida pelo escritor e matemático libanês Nassim Taleb. São exemplos de eventos-surpresa que se enquadrariam nessa teoria, a Primeira Grande Guerra, o ataque japonês à base americana de Pearl Habor, a destruição das Torres Gêmeas, em Nova York, e, agora, a pandemia da Covid-19.
Quem poderia imaginar que os europeus fossem se matar tanto entre 1914 e 1918? Que os americanos seriam atacados no Pacífico em 1941? Que o World Trade Center viria abaixo depois de dois aviões se lançarem contra suas torres, em 2001? E quem seria capaz de antever o strike que um vírus safado daria no planeta em tão pouco tempo, inclusive, nos países mais ricos? Pensei em Nelson Rodrigues!
O grande jornalista e dramaturgo brasileiro nunca precisou de uma fórmula matemática para provar a Lógica do Cisne Negro. Ele nunca duvidou do Imponderável de Almeida, demonstrando cabalmente, por exemplo, que, em noventa minutos, 22 jogadores de futebol derrubam qualquer parâmetro e desmoralizam qualquer estatística.
Por fim, apesar de que não queria pensar nisso tão cedo, indago se o resultado da eleição presidencial no Brasil, em 2018, se enquadraria numa dessas trágicas obras do acaso ou do ocaso… A refletir… Ainda que determinados indivíduos com potencial tão maléfico mereçam uma teoria própria…
Assim sendo, consideradas as variáveis e uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, lanço aqui a Teoria do Urubu Branco. Todo cuidado é pouco. Ele existe e procria! É uma ave de rapina com cérebro pequeno, língua presa e sempre sobrevoa a morte.
https://blogdojuca.uol.com.br/2021/01/a-teoria-do-urubu-branco/
Não uso chapéu (quem sabe um dia pousará um urubu branco na minha cabeça!). Se fosse o caso, tiraria para você.
CurtirCurtir
Na dúvida, melhor usarmos! Bj
CurtirCurtir