
Das tarefas mais simples às questões de Estado mais espinhosas, é comum os envolvidos tirarem o corpo fora. Passear com o cachorro, tirar a mesa, lavar a louça e estender a roupa na corda são ações que provocam em alguns jovens uma típica cara de paisagem. Mas eu arriscaria dizer que essa é uma tendência geral no mundo das relações. Colocamo-nos no final da fila para os deveres e na do atendimento preferencial para os direitos.
Há dez meses, no caso da pandemia da Covid, o presidente da República transfere responsabilidades para prefeitos e governadores. Não é com ele. Aqueles bandidos do outro lado da praça disseram que municípios e estados podem e devem agir – o que fez o capitão concluir que a União não faz a força. Há coisas mais importantes a tratar do que milhares de vidinhas perdidas. Por exemplo, a sua reeleição e a proteção da sua prole.
Mas, felizmente, nem todos tem o mesmo raciocínio e a esperança pela eficácia de uma vacina contra o coronavírus tem unido boa parte dos brasileiros sem a ajuda da União. O problema é que a vacina não basta. Sem uma vacinação ampla e coordenada, muitos morrerão na praia e tirar o corpo – ou apenas o braço – nesse momento é um crime. Daí, como reagir quando a maior autoridade pública do país diz que quem tomar a vacina pode virar jacaré? E o general de quatro caveiras que assiste a tudo isso com a mesma cara de paisagem de um adolescente?
Bem, eu adoraria responder com os piores adjetivos e palavrões do vernáculo, mas ainda tento escapar pela porta do bom humor, citando uma velha piada adaptada para ser publicável… Dois soldados concordaram resolver, com um jogo de adivinhação, quem estaria mais bem preparado para seguir para a batalha na frente. Um deles faria uma pergunta difícil e, se o outro acertasse, deveria combater primeiro. E veio a pergunta.
– Qual é o bichinho que sobe no telhado e faz miau-miau?
– Já sei. Jacaré!
– Isso. Acertou! Prepara o fuzil!!
Contundente e adorável, como você sabe bem fazer. Vida longa para você!!
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