Hoje, a crônica é um recado da minha filha, que experimentou em Catalão, Goiás, algo que desconhecia no Rio, por incrível que pareça! 

Lá foi Cecília para Catalão, onde passou uma semana na casa de uma amiga querida da praia, das redes de futevôlei. A família da Bruna a recebeu com todo carinho e sentíamos na sua voz que estava feliz. Elas conversavam, assistiam a filmes, comiam bem, tomavam sol e, lógico, jogavam futevôlei. Até que um dia… Ela nos telefonou chorando.

Seu relógio tinha sumido. E que relógio! Justamente, sua primeira compra com o dinheiro do primeiro bico. 

– Caramba, Cecília! Você foi jogar com relógio! A essa altura está enterrado na areia… Paciência! Melhor do que quebrar uma perna, ficar doente… Você compra outro!

– Paaaaaiiiii! Eu estou com muita raiva! Eu tirei e acho que me roubaram! 

– Não estrague sua viagem, curta o tempo que resta com essa família tão bacana. Esqueça!

Quem disse que ela se esqueceria?! E me falou de como era comum a turma da praia, dos meninos do Leblon e do Vidigal, acharem objetos perdidos e publicarem no grupo da rede ou na rede do grupo. 

– Poxa, pai! Eu venho do Rio para ser roubada aqui?!

E lá foi minha filha, mobilizar a dona da quadra, a família da Bruna e meio mundo para descobrir quem era o ladrão de Catalão. Talvez, o único em uma cidade tão familiar e pacata… Encurtando o drama, como havia câmeras por todos os lados, para filmar as performances na rede de vôlei, por sorte da Cecília – e a falta dela do larápio -, desvendaram o crime. A mãe da Bruna, influente na cidade, não pestanejou e fez o meliante saber que o relógio da Cecília deveria ser devolvido imediatamente! 

Mas, veja: um “imediatamente” totalmente diferente do que disse o Tramp, ao ameaçar os produtos brasileiros exportados para os EUA. O “imediatamente” da mãe da Bruna foi um ultimato do bem, por justiça, e enquadrou o mané que aplicou o golpe. Ele, carioca exportado para Goiás, escolheu uma conterrânea tinhosa, com amigas de verdade. Quebrou a cara! De minha parte, tenho um pouco de pena do sujeito. Perdeu a boa reputação naquela cidade e talvez esteja na hora de ir para mais longe, bem longe, para a terra do Tramp, com ou sem sobretaxa.