
Por quase 200 anos, a partir de 1763, o Rio de Janeiro foi capital do Brasil Colônia, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, do Brasil Império e dos Estados Unidos do Brasil. É bom lembrar que Buenos Aires nunca foi a nossa capital. Lá, cobras e jacarés não passeiam pelas ruas como aqui.
Mas, em 1960, perdemos o título para Brasília. Que raiva! Pecado do Juscelino, que quis inventar uma cidade brotinho, planejada, impecável, sem problemas de habitação, sem favelas, com uma esplanada de ministério e uma Praça dos Três Poderes monumental e inexpugnável. É lógico que não deu certo. Brasileiro não tem TOC nem é perfeccionista e, no dia 8 de janeiro de 2023, a maldição verde e amarela atingiu o planalto central em cheio. Mas não falemos sobre isso. 50 anos antes, eu tinha ido à “Novacap”.
Foi em 1973. Eu, criança, ela, pré-adolescente. Adorei a porta giratória do hotel – é do que me lembro. Depois disso, passei a ver Brasília por fotografias e nas imagens da televisão. Zileide Silva e outros jornalistas ao microfone com o Palácio do Planalto imponente ao fundo. Ou o Congresso. Que espetáculo! A imagem do Itamaraty, então, com o meteoro de Bruno Giorgi flutuando no espelho d’água, sempre foi imbatível. Brasília, inegavelmente, é muito fotogênica.
Em 2014, apesar da má vontade que sempre tive com essa cidade sirigaita e usurpadora, voltei à… capital da República. Detalhe: ela não é capital dos Estados Unidos do Brasil, como éramos. É capital da República Federativa do Brasil. Uma pobreza… Nós éramos EUB! Quase EUA! Mas, em 2014, eu e Brasília já tínhamos mais de 50 anos. Portanto, maduros. No entanto, lá chegando, a decepção foi enorme. Achei que estava numa miniatura do que via na TV ou numa maquete gigante. Os palácios me pareceram muito menores e a Praça dos Três Poderes, esmirrada. Muito diferente do Rio, cuja paisagem é majestosa, de tirar o fôlego ao vivo e a cores.
A Esplanada dos Ministérios de Brasília é pinto perto da nossa Avenida Presidente Antonio Carlos. O antigo Ministério da Fazenda do Rio está em outro patamar, assim como o Palácio Capanema e o antigo Ministério do Trabalho. Que dizer dos monumentos da Cinelândia: o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional, o Museu de Belas Artes, a antiga sede do Supremo Tribunal Federal. Aliás, aposto que a demolição criminosa do Palácio Monroe, antiga sede do Senado, que ficava por ali, se deu por intriga de Brasília. Talarica!
Mas deixem estar. O atual prefeito do Rio que, com razão, implica por sermos a capital do Estado do Rio – ainda mais governado por quem -, já nos fez capital do G20 e, agora, teve outra idéia brilhante: seremos a capital honorária do Brasil. Não sei se toda a cidade, mas o Centro e a Zona Sul estão dentro! Antevejo as placas, a propaganda oficial e as manchetes dos jornais: Rio, Capital Honoris Causa do Brasil! Finalmente, será corrigido um pecado capital, um erro histórico, que resgatará a autoestima dos cariocas e brasileiros sensatos. Xô Brasília!
…
Em homenagem a Cacá Diegues, bye, bye, Brasília!
Ai, Mauro… Você anda mais afiado que nunca. Pra o Rio ser tudo isso, só precisávamos que os cariocas fossem mais conscientes, mais educadinhos… Enfim, que eles aprendessem o valor da palavra “respeito” e cultivassem a beleza da nossa cidade…
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A esperança será sempre na reação da natureza. Uma pena…
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Sem contar que as aves que lá gorjeiam não gorjeiam como cá.
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Rsrsrs. Dizem que as emas de lá penaram e ainda não se refizeram do trauma.
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Eu andava às turras para criar o título do meu novo livro de crônicas e… de repente… eureka! Você me salvou, Mauro!
O título provisório era “Éramos todos brasileiros”. Agora, se me permite a apropriação, caro amigo, penso que ficará melhor “Éramos EUB, quase EUA”. O que você acha?
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Acho ótimo, desde que eu ganhe um exemplar autografado.
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