
Ouvi de um marinheiro que não há como navegar para fora de uma tempestade. O máximo a fazer é não afundar e manter-se vivo até que ela passe: “a gente não sai de uma tempestade; ela sai da gente.”, dizia ele.
Lembrei-me disso quando inadvertidamente li mais uma manchete sobre o atual presidente dos EUA. Evito notícias e fotografias suas ao máximo. No entanto, lá estava ele ou “it”, refestelado na primeira página do jornal, com a fisionomia de um menino alaranjado e enfezado, do tipo que leva a bola para casa e acaba com o jogo.
Fazer o quê? Não deram uma bola para ele? Mas, pelo que sabemos sobre essa triste figura, o ideal é não entrar na sua frequência maligna e nos confrontos que estimula. Do contrário, se jogarmos seu jogo, anteciparemos todas as tormentas e os riscos de naufragarmos antes do tempo – justamente o que pessoas como ele desejam e costumam fazer: infernizar a vida de meio mundo porque suas próprias vidas são muito ruins, próximas do fim e sem decreto presidencial que impeça.
É incrível a enorme a quantidade de habitantes das terras descobertas por Colombo e Vespúcio que embarcaram nesta nau insana. Definitivamente, a espécie humana não aprende nem com a dor. É muita ignorância! E perversidade.
Quanto a nós, do lado de cá dos muros que eles erguem, não há muito a fazer. Resistir a jogos de cena grotescos e às suas questões domésticas? Creio que não. É deixar o delírio passar, tal qual uma tempestade. Fenômenos meteorológicos e manifestações de extrema burrice são cíclicos e inexoráveis. Variam apenas no espaço.
O epicentro desta nova tormenta está em Washington. É triste, sim. Dá medo, é revoltante. Mas tudo passa. Fechemos jornais, abramos romances. Não percamos de vista a nossa saúde mental. Depois, virá certa bonança. Lógico, antes da tempestade seguinte.
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PS Ah! Assim como os seus golpes abaixo da linha da cintura, o comprimento das gravatas do sujeito é, como tudo nele, extremamente deselegante. Minha amiga Lu Catoira, especialista em moda, há de concordar!