Não olhe para cima da tabela, o Botafogo pode estar na frente! Quem assistiu ao jogo de futebol entre Palmeiras e Botafogo pela Copa Libertadores da América, não tem dúvida sobre o que significa o Glorioso num mata-mata: horas extras para agentes funerários e coveiros. 

Com a vantagem do empate, o Botafogo ganhava de dois a zero nos últimos cinco minutos. Pois o Palmeiras, com mais cinco dos descontos, virou o jogo. Fez três gols em 10 minutos. Mas o árbitro de vídeo, o VAR, anulou o que seria a festa de uns e a desgraça de outros. 

Entre síncopes e enfartes, o Botafogo se classificou. Foi por um triz e pensei com meus botões que meu tio Neca devia ser Botafogo. Era a personificação da falta de sorte, para não escrever aquela palavra perigosa de quatro letras que começa com “a” e termina com “r”. Os fiéis de General Severiano dirão “amor”. Mas não é bem isto! 

Eu e Cecília estávamos lá, diante da televisão. Somos Flamengo, mas não resistimos a um jogo promissor. E a partida disputada em São Paulo, na casa dos alviverdes, segundo um comentarista, foi digna da mais emocionante tourada de Madri – “para tim bum, bum, bum”! Nunca assistimos a esse espetáculo cruel, mas certamente torceríamos com afinco pelo touro.

No entanto, o ponto aqui, como o leitor deve ter percebido, é de natureza transcendental e eu adoraria que um médium idôneo psicografasse Nelson Rodrigues a descrever o Botafogo de 2023 e 2024. Se o Sobrenatural de Almeida conspirava contra o Fluminense do grande cronista e dramaturgo, que forças do Universo orbitam em torno da Estrela Solitária?

Por via das dúvidas, na partida final do campeonato, se o Botafogo ainda estiver na ponta da tabela e na frente no placar, não olhe para cima na hora do apito final! É enorme a chance de um meteoro se chocar contra o nosso planeta e vamos todos, de todas as torcidas, para espaço.